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As lágrimas de John Malkovich com «Cavalo Selvagem Nove» em Veneza são a sua carta ao Oscar

Camille Lefèvre

Existe um tipo de ator que passa a carreira sendo a pessoa mais interessante na borda do quadro, e John Malkovich tem sido esse ator por tanto tempo quanto a maioria de nós assiste filmes. Na estreia em Veneza de Wild Horse Nine, de Martin McDonagh, algo se reconfigurou. O ladrão de cenas havia recebido o centro do filme, e quando os aplausos não paravam, ele chorou.

As lágrimas importam porque Malkovich construiu uma gramática inteira a partir de não mostrá-las. Sua marca registrada é o distanciamento: o sotaque afetado, a ameaça divertida, a sensação de um homem narrando a própria vida de um assento ligeiramente acima dela. Ver esse instrumento voltado para o sentimento, e ver o homem que o maneja desfeito por uma sala, é entender o que McDonagh realmente fez aqui. Ele localizou o único registro que Malkovich raramente nos deixa chegar perto.

McDonagh escreve faladores. De In Bruges a The Banshees of Inisherin, seu cinema continua circulando a mesma ferida — amizades masculinas conflituosas, diálogos moralmente combustíveis e estruturados para detonar suas próprias premissas. Suas frases se curvam até sangrar, e essa é precisamente a forma da voz de Malkovich: as ênfases estranhas, a ironia mantida por meio segundo a mais, o jeito que ele faz uma linha se enrolar sobre si mesma. Os dois eram, em retrospecto, inevitáveis. A surpresa é para onde McDonagh aponta a ironia.

Malkovich interpreta Chris, um oficial da CIA no que parecem ser seus últimos anos, um homem que, como observou o crítico da TIME, simplesmente solta a verdade — e o efeito é de encanto, não de crueldade. Essa é a inversão sobre a qual toda a performance gira. A distância afetada que antes fazia de Malkovich um vilão soberbo agora se lê como uma espécie de honestidade exausta, um homem que ficou sem razões para interpretar a si mesmo. Os críticos continuam recorrendo à palavra vulnerabilidade, e estão certos, mas a palavra mais exata é exposição. McDonagh finalmente deu à ironia de Malkovich algo para lamentar.

Ele não está sozinho lá em cima. Sam Rockwell interpreta Lee como o homem sério e o espelho, uma atuação generosa que favorece ouvir em vez de soltar falas — o ator que já ganhou um Oscar com um roteiro de McDonagh agora contente em entregar o filme ao seu parceiro. A dupla é o motor do filme, dois agentes enviados de Santiago para a Ilha de Páscoa enquanto um golpe se forma atrás deles, trocando provocações a caminho de uma história que não vai revidar. McDonagh disse que o assustador no presente é que os poderosos não se dão mais ao trabalho de manter suas maquinações ocultas; o cenário de época é sua maneira de fazer esse argumento sem levantar a voz.

Onde o filme se situa em sua carreira será debatido por meses. Ele nunca fez um longa que fracassou, e a tentação é chamar este de o melhor deles; a leitura mais fria é que é o mais controlado. A TIME observa que ele não carrega nenhuma da superioridade presunçosa de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, e essa contenção é o ponto — os gracejos ainda estão lá, mas não se parabenizam mais. Se há uma costura, é a que a NME sinaliza, os papéis femininos relegados às margens de uma história que é, no fim, sobre dois homens e seu silêncio.

A recepção em si já entrou para o registro: uma ovação de pé que durou entre treze e catorze minutos, a mais longa deste festival até agora, com a parceira de Rockwell, Leslie Bibb, liderando o barulho e Parker Posey em lágrimas. Malkovich, duas vezes indicado ao Oscar e nunca vencedor, desviou das conversas sobre prêmios com a humildade de um homem que aprendeu a não esperar nada disso — a coisa mais legal, disse ele, é o filme receber atenção. A Searchlight lança em novembro; a disputa pelo Leão de Ouro tem vinte e um concorrentes, com o júri de Maggie Gyllenhaal se reunindo ainda este mês.

A Academia teve duas chances com Malkovich e passou em ambas. McDonagh acabou de lhe dar uma terceira que será difícil de explicar — uma atuação principal de um homem que passou quarenta anos fingindo que não precisava ser visto, finalmente se deixando ser.

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