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Bloodhound faz de Stelio Savante um detetive noir em colapso sob os neons de Atlantic City

Quarto longa independente de E.B. Hughes, com Hannah Fierman, Corin Nemec e Deborah Twiss, estreou no SOHO International Film Festival
Martha O'Hara
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A única imagem divulgada de Bloodhound já diz quase tudo o que seus realizadores querem que a gente sinta. Um homem sentado atrás de um para-brisa, à noite, com metade do rosto engolida pela sombra, enquanto as luzes vermelhas e azuis da polícia se borram sobre o vidro e o letreiro de um cassino, RESORTS em altas letras cor de coral, arde fora de foco acima do seu ombro. É Atlantic City como os cartões-postais nunca a pintam: não o prêmio acumulado, mas a ressaca, a luz que continua piscando depois que todo mundo já foi para casa. E.B. Hughes rodou seu novo thriller de mistério na cidade e nos arredores, e o enquadramento sugere que ele sabia exatamente o que o lugar oferece de graça a uma história policial.

Bloodhound, que Hughes escreveu, dirigiu e produziu, acaba de ter sua estreia mundial no SOHO International Film Festival, em Nova York. Seu motor é um dos mais antigos e duradouros do gênero: um ex-detetive de cidade grande, exilado numa cidadezinha tranquila, assume o caso de um assassinato brutal que começa a desmanchar tanto a verdade quanto o seu próprio domínio sobre a sanidade. Stelio Savante interpreta o detetive.

Ao redor dele, Hughes reuniu um elenco com memória de gênero. Nascido na Cidade do Cabo, Savante chega com Sarah’s Oil e Fresh Kills entre seus trabalhos recentes. Hannah Fierman é um rosto que o público de terror conhece de V/H/S e Bunker Heights; Corin Nemec traz Place of Bones e Drop Zone; Deborah Twiss, de Kick-Ass: Quebrando Tudo e Bare Knuckle Brawler, e Randy McDowell, de I Can Only Imagine 2 e 40 Dates and Forty Nights, completam o elenco.

The Atlantic City Boardwalk at night with casino signs lit up
Atlantic City Boardwalk at night. Photo: Lisa Andres, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Para Hughes, nascido no sul de Nova Jersey, o litoral é território de casa, e não pano de fundo. Bloodhound é seu quarto longa independente como roteirista, produtor e diretor, depois de Turnabout (2016), Exit 0 (2019) e The Long Way Back (2021), e todos eles conseguiram distribuição comercial, uma conquista modesta, mas real, num mercado em que a maioria dos filmes feitos por conta própria nunca sai do circuito de festivais.

Ele produz ao lado de Robert Koob e do cineasta inglês Paul Chart, cujo longa de estreia, American Perfekt, estrelado por Robert Forster e Amanda Plummer, foi produzido por Irvin Kershner e selecionado para a mostra Un Certain Regard, em Cannes. Salvatore Tumolo é coprodutor, e Michael Pagnotta e Clementine Bentley são produtores executivos.

A sessão de estreia aconteceu na sexta-feira, 9 de outubro, no Regal Union Square Theater 12, dentro da 17ª edição do SOHO International Film Festival (Festival Internacional de Cinema do SoHo), que vai de 7 a 13 de outubro de 2026 e apoia cineastas independentes do mundo todo. A edição deste ano tem como destaques Jackrabbit, Gangland e Jesus Land, com Lou Diamond Phillips, Juliette Lewis e Harvey Keitel entre suas estrelas. Ainda não foram anunciados distribuidora nem data de lançamento para Bloodhound.

Até que sejam, o filme existe para a maioria de nós como aquele único fotograma: um homem ao volante, um para-brisa e o nome de um cassino brilhando como um aviso que ele decidiu não ler.

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