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Tom Hardy e Helen Mirren fazem as pazes na estreia de «Terra da Máfia» — mas nos termos dele

O abraço no tapete vermelho foi vendido como o fim da briga. A produção conta outra história: um set que se reorganizou em torno de seu protagonista.
Veronica Loop

O abraço em frente ao Odeon Luxe, na Leicester Square, foi pensado para encerrar uma história — e a maior parte da cobertura cumpriu o papel. Helen Mirren e Tom Hardy se abraçaram no tapete vermelho; ela postou uma foto dele com a legenda “amo você, agora e sempre”; Pierce Brosnan tratou tudo como tempestade em copo d’água. Uma briga noticiada por meses, declarada encerrada numa única noite de boa iluminação. É um desfecho arrumadinho. Também é o desfecho errado. O que a estreia realmente encenou não foi uma reconciliação entre iguais, mas uma demonstração de quem MobLand não pode dispensar.

Vejamos primeiro a versão pública, porque está sendo repetida em todo lugar. “Meu Deus, foi tempestade em copo d’água, sério”, disse Brosnan aos repórteres. “Adoro o cara. Adoro o Tom Hardy. Sou fãzão do trabalho do homem.” Mirren, por sua vez, disse que esperava contracenar mais com Hardy na temporada que ainda virá. Calor humano geral, nada a ver. O problema é que esse calor humano está sendo oferecido como prova de que o atrito era banal — e o atrito, como a imprensa especializada descreveu, não era banal coisa nenhuma.

O Hollywood Reporter e a Variety traçaram o mesmo quadro: Hardy manteve duas das artistas mais disciplinadas do planeta — uma Dama e um ex-Bond — esperando por horas enquanto ele regravava suas cenas. Devolveu anotações de roteiro, reescreveu trechos e bateu de frente com o cocriador Jez Butterworth e o produtor David Glasser por causa de um processo que ninguém autorizara mas que todos tiveram de absorver. O detalhe que mais importa é aquele que parece futilidade: só Guy Ritchie, que definiu o tom da série, conseguia acomodar confortavelmente as reescritas de Hardy no dia da filmagem. Outros diretores não conseguiam, e essa incapacidade de se curvar a ele foi o que supostamente frustrou os produtores. Isso não é choque de personalidades. Isso é uma produção descobrindo que só tem uma marcha, e o nome dela é Tom Hardy.

Eis o que a cobertura festiva ignora. Uma fonte da produção não disse que as reportagens eram falsas. A fonte disse que Hardy não foi demitido, que a porta para uma terceira temporada não estava fechada e que as coisas estavam “sendo resolvidas criativamente”. Leia de novo. Você não emite uma negativa de demissão sobre um ator que nunca esteve em risco, e não agenda novas gravações que exigem o retorno dele a menos que a saída dele tenha sido, em algum momento, uma possibilidade real. A declaração não é uma correção. É um tratado.

E tratados são assinados de posições de força. MobLand não é um elenco que por acaso inclui Tom Hardy; é uma máquina de crime de Guy Ritchie construída sobre o rosto de Hardy e a ameaça de Hardy, e a Paramount+ tratou a série como seu carro-chefe desde a primeira temporada. Quando o ativo é o ator, o estúdio não arbitra a briga — ele administra o ativo. O profissionalismo da Mirren, a paciência do Brosnan, a equipe esperando horas: esses são custos que a produção pode absorver. Um Hardy que sai é um custo que ela não pode. Portanto, a briga nunca terminaria com um acerto de contas. Ela sempre terminaria com uma estreia, uma legenda de Instagram e uma palavra como “criativamente”.

Nada disso faz de Hardy um vilão, e nenhuma das reportagens verificadas sustenta os boatos mais feios que circularam nas redes sociais; a acusação é sobre controle criativo e um senso implacável do próprio processo, não sobre má conduta. Mas a estreia deve ser lida pelo que é. O calor humano é real, e a alavancagem é mais real ainda. A segunda temporada estreia em 18 de setembro na Paramount+, a peça central que carregou os números da primeira temporada está de volta, e a terceira temporada já foi encomendada — seu formato, significativamente, ainda “sendo resolvido”.

Mirren disse “amo você, agora e sempre”, e provavelmente falou sério. A frase mais reveladora pertence ao produtor anônimo que teve de prometer ao mundo que o homem com o maior poder de bilheteria da ficha de chamada não tinha sido dispensado. Nessa franquia, é assim que a paz soa.

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