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«Lollipop Chainsaw» vira filme live-action: a aposta do Japão para ser dono de suas franquias, não licenciá-las

Molly Se-kyung
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Por décadas, o acordo para um jogo japonês que queria virar filme tinha um único caminho: vender os direitos para um estúdio de Hollywood e torcer para que o resultado respeitasse a fonte. O plano que está se formando em torno de Lollipop Chainsaw segue na direção oposta. A Dragami Games, o estúdio que hoje controla o cultuado hack-and-slash de 2012, não está entregando sua líder de torcida munida de motosserra a um grande estúdio — está montando sua própria produção internacional para fazer o longa, parte de uma ambição declarada de ser pioneira em “um novo modelo para construir franquias de entretenimento reconhecidas globalmente a partir da Ásia.”

Conforme o Deadline noticiou em primeira mão, o longa live-action é licenciado pela Dragami e está sendo montado por uma equipe deliberadamente transfronteiriça: Joe Teng, da Nada Holdings; Robert Franke, ex-chefe de drama da ZDF Studios, por meio de seu selo Orange Chariot; Takafumi Yuki, da Throne Inc; Kirk Shaw, da Ambitious Entertainment; e Patricio Rabuffetti, da Non Stop TV. A mistura de produtores americanos, europeus e japoneses é a própria estratégia — uma franquia desenhada desde a primeira reunião para lançamento mundial, e não para venda doméstica.

O momento não é acidental. As adaptações de videogames passaram de veneno de estúdio a moeda de prestígio — de The Last of Us, da HBO, à bilionária carreira nos cinemas de A Minecraft Movie —, e as propriedades japonesas são a próxima veia óbvia a ser explorada. O que é incomum é quem está segurando a broca. Em vez de esperar que um estúdio opcione o jogo, o detentor dos direitos está financiando e moldando o filme por conta própria, mantendo o centro de gravidade da franquia em Tóquio, não em Burbank.

Há uma ironia cinematográfica enterrada no código-fonte. O jogo original foi dirigido por Goichi Suda e co-escrito por James Gunn, anos antes de Gunn se tornar co-chefe da DC Studios — um pedigree acidental de blockbuster que os novos produtores estão bem posicionados para invocar. Franke definiu o objetivo como um filme “que seja inconfundivelmente fiel ao espírito de Lollipop Chainsaw, mas que se sustente completamente por conta própria”, enquanto o presidente da Dragami, Shohei Sato, o chamou de primeiro live-action da franquia. O longa está planejado como uma comédia de ação pré-sequência (prequel) classificada como R, ambientada na San Romero High, acompanhando a líder de torcida Juliet Starling e sua família de caçadores de zumbis antes do surto que abre o jogo.

O longa é apenas uma das pontas de um relançamento coordenado. Uma sequência para PlayStation 5, Lollipop Chainsaw 2, está em desenvolvimento no JP Universe, de Hajime Tabata, com previsão para 2027, e foi exibida no Tokyo Game Show deste mês, com planos de animação separados também em andamento.

Se o modelo se mantiver, a lição vai muito além de uma líder de torcida: um estúdio japonês provando que pode transformar um jogo cult que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias em uma franquia mundial sem jamais entregar as chaves.

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