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“Syndetic”: o thriller de ficção científica com Jessie T. Usher e Taye Diggs que transforma cérebros em servidores

Veronica Loop

A ficção científica de orçamento médio migrou silenciosamente para fora do balanço dos estúdios. As majors agora reservam o gênero para IP pré-vendido — um Duna, um Avatar, uma franquia com um número depois do nome — deixando o thriller especulativo, que prioriza a ideia, para os independentes dispostos a filmar enxuto e escalar com inteligência. Syndetic é um exemplar claro dessa economia: um longa de ficção científica psicológica construído sobre uma premissa genuinamente inquietante e recheado de atores cujos rostos carregam mais reconhecimento do que seu orçamento poderia comprar.

Como o Deadline noticiou em primeira mão, o filme reuniu Jessie T. Usher (The Boys, Sorria), Taye Diggs, Brett Gelman, Torrey Lawrence e Brooke Anne Smith. Lawrence interpreta Richard Thompson, um ex-fuzileiro naval e administrador de redes cujo desemprego, vício e afastamento dos filhos o tornam presa fácil da Neural Hive — onde o Dr. Carnegie, de Gelman, com seu jeito afável e desarmante, o recruta para um experimento que trata cérebros humanos como nós individuais em uma rede de computação distribuída, wetware aproveitado para previsão e reconhecimento de padrões.

A escalação é a verdadeira alavanca da história. Usher passou anos dentro de The Boys, da Amazon, um dos pilares de gênero mais duradouros do streaming; Diggs é figurinha carimbada na televisão desde Private Practice. Trazer esse peso para o longa de um diretor estreante é como o gênero independente consegue ser visto em um mercado saturado — nomes reconhecíveis funcionam como seguro de distribuição muito antes de um agente de vendas entrar na sala. Gelman, por sua vez, construiu uma segunda carreira interpretando exatamente essa espécie de ameaça amigável demais.

A premissa chega com um timing desconfortável. Um thriller sobre uma corporação que aluga a cognição humana como poder computacional bruto chega enquanto Hollywood discute o que as máquinas devem poder fazer com o trabalho e a imagem das pessoas. Syndetic externaliza essa ansiedade literalmente — a mente como uma fazenda de servidores — e entrega a contabilidade moral a dois detetives, o Clearwater de Usher e o Lane de Diggs, que esmiúçam o relato cada vez mais fragmentado de Thompson.

O longa marca a estreia na direção de Blake Linder, que produz pela Linder Productions ao lado de Jayme LaForest (Fall Risk Entertainment), responsável pelo roteiro e produção, e de Jason Short, da Short Films, com Ryan Broomberg atrás das câmeras. A produção acaba de ser concluída em Los Angeles, e o filme segue para a pós-produção sem distribuidora ou data de lançamento definida.

“Sempre fui atraído por histórias que deixam o público fazendo perguntas difíceis, e Syndetic faz exatamente isso”, disse Linder sobre sua estreia — uma declaração modesta para um filme cuja questão central é se as pessoas conectadas à sua máquina ainda são pessoas.

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