Atores

Ben Kingsley escondeu o nome indiano e ganhou o Oscar sendo Gandhi

Penelope H. Fritz

Quando Krishna Pandit Bhanji decidiu se chamar Ben Kingsley, o cálculo era simples e doloroso. Era jovem, era britânico, era filho de um pai gujarati indiano e de uma mãe inglesa, e entendia que a indústria cinematográfica britânica daquela época tinha ideias muito restritas sobre quem podia interpretar quem. A mudança de nome não foi uma reinvenção — foi uma retirada tática. O que ele não podia antecipar era que aquela decisão acabaria parecendo a mais irônica da história do cinema moderno: o homem que anglicizou sua identidade para conseguir trabalho ganhou seu Oscar encarnando a figura indiana mais reconhecível do século XX.

Nasceu em Snaith, no Yorkshire, filho de Rahimtulla Harji Bhanji, médico e ator gujarati de Jamnagar, e de uma mãe inglesa de ascendência irlandesa e queniana. Ben Kingsley passou cerca de quinze anos aprimorando o ofício no teatro antes de o cinema lhe dar a carreira que ainda não conseguia imaginar. Bugsy, em 1991, deu-lhe Meyer Lansky. A Lista de Schindler o transformou em Itzhak Stern. Depois veio Sexy Beast e Don Logan: um gângster compacto e explosivo do qual a ameaça emana não como performance, mas como física.

A polêmica em torno de Iron Man 3, em 2013, foi real. Kingsley foi escalado como O Mandarim e foi então revelado no filme como Trevor Slattery — um ator britânico esgotado contratado para representar o papel de terrorista como espetáculo teatral. Kingsley voltou ao personagem no curta-metragem da Marvel All Hail the King, em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, e mais recentemente como co-protagonista da série Disney+ Wonder Man, estreada em janeiro de 2026.

Ele se casou com sua quarta esposa, a atriz Daniela Lavender, em 2007. Foi nomeado Knight Bachelor em 2002 — Sir Ben Kingsley. O ritmo de 2025 e 2026 envergonharia a maioria dos atores com quarenta anos. The Thursday Murder Club, Desert Warrior, Deep Water, Young Washington e The Old Stories: Moses para o Prime Video — cinco projetos em dezoito meses aos 82 anos. O que impede a carreira de ser simplesmente arquivada é que nada disso tem a aparência de uma despedida. O nome que Ben Kingsley escolheu aos vinte anos é o que a história vai guardar.

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