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Simon Rumley, o cineasta britânico de filmes extremos que agora aposta na IA

Penelope H. Fritz
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Simon Rumley
Simon Rumley
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento22 de maio de 1968
Londres, Reino Unido
OcupaçãoDiretor de cinema e roteirista
Conhecido porO ABC da Morte, Vermelho, Branco e Azul, Distúrbio Fatal
Prêmios2 Fantastic Fest · Festival de Cinema de Sitges · Festival Internacional de Cinema Fantasia

Simon Rumley faz filmes difíceis de assistir — e nunca fingiu o contrário. Entre seus personagens estão um filho esquizofrênico deixado sozinho com a mãe moribunda e um padre que percorre as ruas de Bangkok em busca da filha sequestrada. A Screen International já o chamou de um dos grandes outsiders do cinema britânico, rótulo que conquistou em festivais de gênero e com lançamentos de pequeno porte, não em salas de multiplex. Por isso, seu projeto mais recente soa estranho no papel: Rumley está escrevendo e dirigindo uma adaptação de O Chamado da Floresta, de Jack London, que será produzida em grande parte com inteligência artificial.

Seus melhores trabalhos nasceram de feridas pessoais e de lugares reais, filmados de perto e com pouca preocupação em poupar o espectador. A grande aposta por trás do projeto é saber se esse instinto vai sobreviver quando a neve e o cachorro forem criados por software.

Rumley nasceu em Londres em 22 de maio de 1968 e começou na indústria por baixo, trabalhando como assistente de produção e escrevendo roteiros nas horas vagas. Depois, conseguiu uma vaga no Carlton Television Writing Course e realizou alguns curtas-metragens. Um deles, Laughter, foi indicado a um prêmio no Institute of Contemporary Arts, em Londres. Seus três primeiros longas, Strong Language, The Truth Game e Club Le Monde, foram dramas londrinos de baixo orçamento. Os dois primeiros foram lançados pelo BFI no National Film Theatre e chamaram atenção pela intensidade e pela busca de honestidade emocional.

Então, a vida fez seu estilo se abrir à força. Seus pais morreram com pouco tempo de diferença: o pai, de ataque cardíaco, e a mãe, de câncer, em 2002. Rumley já disse que acompanhar a morte dela foi o ponto de partida de The Living and the Dead, que filmou em 2005 na propriedade de Savernake, com Roger Lloyd-Pack, Leo Bill e Kate Fahy. Sobre um aristocrata à beira da ruína, sua esposa em estado terminal e o filho esquizofrênico do casal, o filme transforma uma tragédia familiar em algo próximo do horror. A estreia aconteceu no Festival Internacional de Cinema de Roterdã; o longa venceu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Direção no Fantastic Fest, em Austin, e a Variety o descreveu como quase brilhante. No mesmo período, seu curta The Handyman, estrelado por Greta Scacchi, venceu o prêmio de Melhor Curta-Metragem em Sitges.

Austin se tornou uma segunda casa para seus filmes. Red White & Blue, rodado na cidade com Noah Taylor, Amanda Fuller e Marc Senter, começa como o retrato de uma mulher solitária que leva desconhecidos para casa depois de conhecê-los em bares e se transforma numa história de vingança sobre HIV, culpa e crueldade. Rumley relacionou o filme ao próprio medo do preço que encontros casuais de uma noite poderiam cobrar. A estreia aconteceu em Roterdã, em 2010; o longa passou pelo SXSW e venceu o prêmio Séquences no festival Fantasia, em Montreal. Em seguida, ele dirigiu o segmento de encerramento da antologia britânica Little Deaths e P Is for Pressure, seu capítulo de The ABCs of Death, filmado no Suriname e selecionado para a seção Midnight Madness do festival de Toronto, em 2012.

A fase seguinte trouxe dinheiro americano e histórias reais. Produzido por Frank Mancuso Jr. e estrelado por Sean Patrick Flanery, Johnny Frank Garrett’s Last Word construiu um suspense sobre uma maldição em torno de um homem do Texas executado pelo assassinato de uma freira. O filme estreou no SXSW, em 2016. Fashionista reuniu Rumley e Amanda Fuller numa história sobre uma vendedora de roupas vintage em Austin cujo casamento e senso de identidade desmoronam. É um filme deliberadamente fragmentado, no qual Rumley reconheceu a influência de Nicolas Roeg. Crowhurst narra a história de Donald Crowhurst, o navegador amador que participou da regata de volta ao mundo de 1968 e nunca voltou para casa, com Justin Salinger no papel principal e o próprio Roeg como produtor executivo — décadas depois de Roeg ter tentado filmar a história. Em 2019, Once Upon a Time in London se voltou para o submundo do crime londrino do pós-guerra, com Jack Comer e Billy Hill.

O rótulo de outsider favorece Rumley, mas também descreve uma carreira que muitas vezes foi travada em condições desiguais. Crowhurst chegou na mesma temporada que The Mercy, filme muito maior de James Marsh sobre a mesma viagem, estrelado por Colin Firth, e teve dificuldade para chamar atenção. O Hollywood Reporter o definiu como uma curiosidade intrigante e um acréscimo menor ao que descreveu como a obra alucinante do diretor. O mesmo veículo havia descartado Johnny Frank Garrett’s Last Word como um filme de terror barato, embora a Variety tenha elogiado a segurança com que o longa equilibra contenção sinistra e frenesi grotesco. O próprio Rumley foi mais direto do que qualquer crítico ao falar do setor. Numa entrevista à Southwark News, em 2023, disse que havia passado por experiências ruins demais na produção de longas, com projetos remontados de forma desastrosa, engavetados ou mal administrados, e que tirou um período sabático da direção depois do lançamento de 2019.

Ele aproveitou a pausa para escrever um romance. The Wobble Club, financiado por uma campanha de financiamento coletivo e publicado em 2023, acompanha um casal com obesidade mórbida que vive perto da Walworth Road, no sudeste de Londres, a poucos minutos do apartamento em Borough onde Rumley mora desde 2002. A história começa como comédia antes de avançar para os lugares sombrios que seus filmes conhecem tão bem.

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A pausa não durou. Crushed, que ele escreveu, dirigiu e produziu, transforma seu curta para The ABCs of Death num longa sobre um padre britânico em Bangkok, interpretado por Steve Oram, cuja filha desaparece depois que um adolescente local lhe mostra um vídeo viral de crueldade contra animais. O filme teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Edimburgo, em agosto de 2025, e depois passou pelo FrightFest, em Londres. As críticas se dividiram em linhas já conhecidas: a Nerdly elogiou o olhar de Rumley para a cidade e seu talento atrás das câmeras, mas argumentou que a falta de sinceridade impedia o filme de alcançar suas ambições, enquanto outros críticos o consideraram perturbador por si só.

Em setembro de 2026, a Deadline revelou o projeto que muda a conversa. David Barron, produtor de seis filmes de Harry Potter, está produzindo O Chamado da Floresta ao lado de Mark Sandell e Nick Price, com Rumley no roteiro e na direção. O filme será criado no estúdio nmatic, com efeitos visuais convencionais nas cenas mais complexas, e é apresentado como a primeira adaptação fiel do romance de London porque será construído a partir da experiência subjetiva de Buck, o cachorro no centro da história. Não foram anunciados elenco, data de lançamento nem distribuidora.

Para um diretor que passou mais de duas décadas provando que filmes baratos também podiam ferir, o desafio é bem específico. Rumley sempre fez o público sentir de perto o que seus personagens sentem. Em O Chamado da Floresta, o personagem é um animal, e as imagens virão de uma máquina; se o filme funcionar, será porque ele encontrou um jeito de fazer um gerador de imagens enxergar o mundo como seus filmes sempre enxergaram.

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