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Hypnotic: Ameaça Invisível — Rodriguez dobra a percepção até o enquadramento mentir

Martha O'Hara

A primeira imagem de Hypnotic: Ameaça Invisível não é uma explosão nem uma perseguição. É um homem parado diante do caixa de um banco, recebendo uma instrução através do vidro, enquanto seu rosto se reorganiza em algo que não é mais completamente dele. O corpo está imóvel. Os olhos estão em outro lugar. Essa cena — um retrato de uma pessoa temporariamente ausente de si mesma — é a tese do filme.

O detetive Danny Rourke (Ben Affleck) ainda não superou o desaparecimento da filha Minnie. Investigando roubos impossíveis em que as testemunhas descrevem ter visto coisas que não existiam, ele descobre o programa Domino: um projeto governamental secreto que treina agentes chamados hipnóticos, capazes de reescrever em tempo real o que uma pessoa vê, ouve e acredita.

Ben Affleck entrega aqui um dos seus trabalhos mais comprometidos no gênero. Enquanto a realidade ao redor de Rourke se distorce — corredores que viram outros corredores, ruas que se esvaziam no meio de uma frase — Affleck mantém um peso físico que orienta o espectador exatamente quando Rodriguez está lhe roubando os referenciais. É uma performance construída na contenção, e o filme é mais inteligente por tê-la escolhido.

As sequências em que os hipnóticos alteram a percepção de suas vítimas são o ponto mais inventivo de Hypnotic: Ameaça Invisível. Rodriguez não recorre a efeitos visuais massivos, mas a uma desorientação mais cirúrgica: ângulos ligeiramente errados, cortes que substituem o que o personagem estava olhando pelo que ele agora acredita ver. Um posto de gasolina se enche de carros fantasmas. A fachada de um prédio muda no meio de uma conversa. A técnica é tão editorial quanto óptica.

Alice Braga entrega a atuação mais complexa do elenco como Diana Cruz, uma mulher cuja história pessoal está entrelaçada com o programa Domino. Ela transita entre o registro de aliada e o de enigma com precisão. William Fichtner constrói Dellrayne em torno de uma quietude específica — a calma de quem passou a carreira inteira removendo a vontade alheia — que o torna ameaçador de forma consistente e sem exageros.

O terceiro ato é onde o filme perde o equilíbrio. A obrigação de desatar os próprios mistérios suprime a inteligência visual dos primeiros dois terços. A câmera, que até então fazia trabalho narrativo através de imagem e ângulo, cede espaço ao diálogo explicativo — uma contradição para um filme cujo argumento central é que a percepção é manipulável.

Hypnotic: Ameaça Invisível é um exercício de gênero honesto: noventa e três minutos que não cansam, momentos de originalidade visual genuína e uma performance sólida de Affleck. Não é o melhor Rodriguez, mas é um dos mais coerentes em atmosfera — um filme que ganha o direito de fazer você questionar o que está vendo.

Direção

Robert Rodriguez
Photo via The Movie Database (TMDB)

Robert Rodriguez

Fotos: The Movie Database (TMDB)

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

  • Hala Finley — Minnie (10 yo)

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