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França condecora Lucas, Foster e Weaver com a Legião de Honra e reivindica como seus os mitos de Hollywood

A mais alta honraria francesa aos criadores de Star Wars, Alien e dos Minions é menos um agradecimento do que uma silenciosa reivindicação de parentesco cultural
Camille Lefèvre

A França sempre tratou o cinema alheio como uma conversa à qual tinha o direito de se juntar. Os críticos dos Cahiers du cinéma passaram os anos 1950 canonizando Hitchcock e Hawks como autores que os próprios americanos haviam negligenciado; a Nouvelle Vague depois retribuiu o favor reconstruindo a gramática de Hollywood à sua própria imagem. O que aconteceu no Palácio do Eliseu nesta semana é a extensão lógica desse velho hábito — a República concedendo sua mais alta condecoração civil às pessoas que construíram o cinema popular moderno e, no mesmo gesto, incorporando-as ao seu próprio patrimônio cultural.

George Lucas, Jodie Foster, Sigourney Weaver e o fundador da Illumination, Chris Meledandri, foram nomeados Cavaleiros da Legião de Honra, enquanto o veterano diretor francês Claude Lelouch foi elevado ao posto sênior de Comendador. Conforme noticiado primeiro pelo Deadline, o presidente Emmanuel Macron presidiu a cerimônia pessoalmente, transformando uma lista burocrática de honrarias em um espetáculo de soft power encenado para uma nação e transmitido para o resto do mundo.

A lista de nomes é mais incisiva do que uma simples homenagem de carreira. Macron dedicou boa parte de seu discurso à ligação vitalícia de Foster com a França — a mãe que a criou com cinema europeu, o apartamento na Île Saint-Louis, o francês fluente que lhe permitiu atuar no idioma, mais recentemente no drama A Private Life. Weaver circulou com igual desenvoltura pela cultura francesa, aparecendo como ela mesma na comédia parisiense Call My Agent!. Até os Minions de Meledandri, o produto mais globalmente sem atrito da animação, são desenhados e renderizados em Paris, no estúdio Illumination Mac Guff. A França não está agradecendo a estranhos; está reivindicando o que é seu.

Lucas se destaca um pouco à parte, o cinéfilo que transformou os seriados de sua infância em uma mitologia particular e depois em uma religião global; homenageá-lo é admitir que Star Wars fez ao mundo o que os autores franceses nunca conseguiram de fato, e absorver em vez de resistir. Lelouch, o único mestre nativo do grupo, ancora a cerimônia em solo francês — o diretor cujo Um Homem e uma Mulher levou a Palma de Ouro há sessenta anos recebendo a patente mais alta, como que para lembrar aos visitantes de quem é a casa onde estavam.

A diferença entre os graus não é acidental. Os quatro americanos entraram no posto de Cavaleiro, o nível inicial de uma ordem que Napoleão criou em 1802; a insígnia de Comendador de Lelouch fica dois níveis acima. A cerimônia ocorreu em 15 de julho, o dia seguinte à própria festa nacional da República — um detalhe de agenda que funcionou como um argumento silencioso.

O resultado foi uma cena improvável nos salões dourados do palácio: o pai da Estrela da Morte, a mulher que sobreviveu ao Alien e o homem por trás dos Minions perfilados enquanto um presidente francês explicava, em essência, que o cinema deles sempre fora francês.

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