Atores

Jack Nicholson, o rebelde que escolheu o silêncio como última atuação

Penelope H. Fritz
Jack Nicholson
Jack Nicholson
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento22 de abril de 1937
Neptune City, New Jersey, United States
OcupaçãoAtor
Conhecido porO Iluminado, Os Infiltrados, Um Estranho no Ninho
Prêmios3 Oscar · AFI

A última vez que a maioria das pessoas viu Jack Nicholson atuar, ele interpretava um homem que se despedaçava silenciosamente em uma comédia romântica de James L. Brooks. O fato de que o filme não está entre seus melhores trabalhos é quase irrelevante. O que importa é o que veio depois: nada. Quinze anos de retirada quase total daquilo que o tornara famoso. Sem entrevistas, sem papel de despedida, sem envelhecimento público e gracioso. Apenas a foto ocasional no Instagram de uma filha e o peso de uma carreira tão densa em grandes atuações que o silêncio parece, por si só, um comentário.

Nasceu em Neptune City, Nova Jersey, com um segredo de família que parece mais roteiro de cinema do que biografia: a mulher que acreditava ser sua mãe era na verdade sua avó, e a mulher que acreditava ser sua irmã — June Frances Nicholson, dançarina de revista — era sua mãe biológica. Só soube da verdade em 1974, quando um jornalista da revista Time lha revelou ao preparar uma reportagem sobre ele. A essa altura, ambas já tinham morrido. Nicholson disse que isso não o destruiu. Se essa serenidade é real ou encenada é uma das perguntas insolúveis que sua vida continua levantando.

Chegou a Hollywood no final dos anos 1950 sem contatos e sem um plano claro, aprendendo o ofício na fábrica de filmes B de Roger Corman até que Easy Rider (1969) o revelou ao mundo. Interpretou um advogado sulista em poucas cenas e conseguiu que o filme parecesse sobre ele. Uma indicação ao Oscar veio em seguida. Era a primeira de doze.

Um Estranho no Ninho (1975), dirigido por Miloš Forman, deu-lhe Randle McMurphy — o rebelde da ala psiquiátrica que pode ou não ser genuinamente louco — e seu primeiro Oscar de melhor ator. É a atuação a que a maioria das pessoas recorre quando tenta explicar o que Nicholson faz que ninguém mais consegue replicar: um carisma tão total que faz a instituição parecer ridícula, mas tão controlado que nunca escorrega para o simples exibicionismo. Depois veio O Iluminado (1980), onde Stanley Kubrick lhe deu um hotel vazio e pediu que ele se desintegrasse. Os críticos debatem há quarenta anos se o resultado é excessivo. É também uma das imagens mais indeléveis da história do cinema.

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Os anos 1980 foram sua década de amplitude. Terms of Endearment (1983) lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante; Batman (1989) lhe deu o Coringa e um contrato que ele mesmo negociou para incluir participação nos lucros de um filme que arrecadou 400 milhões de dólares no mundo. Ele entendia o negócio tão bem quanto a arte.

A Few Good Men (1992) lhe deu a fala que todo mundo lembra. As Good as It Gets (1997) lhe trouxe o terceiro Oscar. The Departed (2006), com Martin Scorsese, ofereceu o tipo de criminoso para o qual ele se preparara por trinta anos.

Seus críticos diziam que ele sempre interpretava Jack Nicholson em cada papel. Seus defensores respondiam que esse era exatamente o ponto. Há atores que somem nos personagens, e atores que tornam o personagem novo ao se recusar a sumir. Nicholson era do segundo tipo, e os resultados, quando o papel era o certo, eram insubstituíveis.

Completou 89 anos em abril de 2026. Seu amigo de longa data Danny DeVito disse no início do ano que Nicholson está “ótimo”. James L. Brooks declarou no final de 2025 que ele está lendo roteiros. Em fevereiro de 2025, apareceu no especial de 50 anos do Saturday Night Live, apresentando Adam Sandler, e recebeu a ovação reservada a quem ninguém mais esperava ver voltar. Aos 89 anos, ainda está lendo.

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