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Jude Law, o ator que precisou de um papa para provar que era mais que um rosto

Penelope H. Fritz

Jude Law chegou a Hollywood com uma vantagem que virou armadilha. O rosto funcionava sozinho: dizia ao público o que sentir antes de o ator abrir a boca. Por isso o escalaram como Dickie Greenleaf. Por isso o escalaram como Alfie. Por isso as duas décadas seguintes demoraram tanto para ficar interessantes.

A virada chegou quando um diretor italiano o colocou no Vaticano.

Jude Law
Jude Law. Depositphotos

David Jude Heyworth Law nasceu em 29 de dezembro de 1972 em Lewisham, ao sul de Londres. O nome Jude — que sempre preferiu ao David — vem do romance de Thomas Hardy Jude the Obscure. Os pais eram professores. Começou no teatro ainda adolescente e chegou ao cinema em meados dos anos 1990. Em 1999, Anthony Minghella o escolheu para interpretar Dickie Greenleaf em O Talentoso Mr. Ripley. A atuação rendeu o BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante e uma indicação ao Oscar. O mundo cinematográfico prestou atenção — mas nas coisas erradas.

A primeira metade da década seguinte foi enorme. Minghella o dirigiu de novo em Cold Mountain (2003), que rendeu a Law sua segunda indicação ao Oscar, desta vez como ator principal. Mike Nichols o reuniu com Natalie Portman, Julia Roberts e Clive Owen em Closer. O remake de Alfie em 2004 dividiu a crítica: Law interpretou o personagem sem ironia, o que alguns leram como vaidade. Os anos de tabloides que vieram depois — o noivado desfeito com Sienna Miller — misturaram personagens e pessoa de um jeito que serviu à imprensa e prejudicou a carreira.

Há que ser precisos sobre as críticas que recebeu entre 2005 e 2015. A acusação de superficialidade é fácil de fazer a um ator com o visual de Law. O que o trabalho com Sorrentino deixaria claro: Law nunca foi incapaz de profundidade — estava esperando os papéis que a exigissem.

Jude Law
Jude Law. Depositphotos

The Young Pope, de Paolo Sorrentino, em 2016, foi a correção. Law interpretou Lenny Belardo, eleito papa como Pio XIII, um pontife de fé incerta cujo principal instrumento de poder é a recusa: recusa visibilidade, conforto, recusa ser o espelho da instituição. O personagem é uma performance de inacessibilidade construída sobre um rosto que o cinema trata há décadas como a definição de acesso. Sorrentino entendeu a ironia. The New Pope em 2020 estendeu o experimento com John Malkovich.

A saga Animais Fantásticos trouxe outro tipo de complexidade. Como o jovem Albus Dumbledore em Os Crimes de Grindelwald (2018) e Os Segredos de Dumbledore (2022), Law trabalhou com um personagem cujo peso reside quase inteiramente no que ele não pode dizer: seu amor por Grindelwald, sua culpa pela morte da irmã, sua capacidade de fracasso moral naquele que se tornará símbolo de clareza moral.

Em 2026, a trajetória chegou a um lugar que não poderia ter alcançado sem o caminho inteiro. Black Rabbit, a minissérie com Jason Bateman na Netflix, rendeu a Law uma indicação ao Globo de Ouro. The Wizard of the Kremlin, dirigido por Olivier Assayas e baseado no romance de Giuliano da Empoli, estreou em maio — Law como Vladimir Putin, um papel que exige opacidade calculada, o recuo preciso do afeto, uma presença que se comunica pelo que suprime. Sua produtora, a Riff Raff Entertainment, desenvolve projetos autorais. Uma comédia de Nancy Meyers com Penélope Cruz, Kieran Culkin, Emma Mackey e Owen Wilson deve ser filmada em 2026.

É casado desde 2019 com a psicóloga Phillipa Coan, a quem descreve como a presença mais estabilizadora de sua vida adulta. Tem sete filhos de quatro relacionamentos. Os anos de tabloides têm agora a textura de uma outra era.

O que a carreira de Jude Law argumenta há vinte e cinco anos — na única linguagem disponível — é que a primeira leitura da câmera nunca é a definitiva. O rosto que Hollywood continuou a oferecer como resposta sempre foi mais interessante como pergunta. Faltava apenas um papa, um jovem bruxo e um presidente russo para que a pergunta se tornasse audível.

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