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Mike Ditka, o técnico durão que deu a Chicago seu único Super Bowl

Penelope H. Fritz
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Mike Ditka
Mike Ditka
Photo: Tami Heilemann–Interior Staff / Public domain, via Wikimedia Commons
Nascimento18 de outubro de 1939
Carnegie
Falecimento9 de outubro de 2026 (86)
OcupaçãoJogador e técnico de futebol americano
TítulosNFL 1963 · Super Bowl VI · Super Bowl XII · Super Bowl XX 1985
Prêmios individuaisSalão da Fama do Futebol Profissional dos EUA

Chicago nunca precisou de um segundo Super Bowl para decidir quem era Mike Ditka. Um só bastou para transformar a carranca, os óculos aviadores, o bigode e o suéter à beira do campo em símbolos da cidade. Mas aquele único troféu também deixou uma pergunta que o acompanhou depois de sair do comando técnico e que agora sobrevive a ele: como um time que parecia feito para vencer por anos ganhou exatamente uma vez — e quanto dessa distância foi o preço do mesmo temperamento que o tornou tão grande.

Ele veio de uma região siderúrgica. Filho mais velho de Charlotte Keller e Mike Ditka Sr., soldador, nasceu em Carnegie, na Pensilvânia, numa família polonesa e ucraniana que havia mudado o sobrenome de Dyczko porque os vizinhos tinham dificuldade para pronunciá-lo. Cresceu em Aliquippa, cidade industrial a noroeste de Pittsburgh, que ele apontava como a origem do apelido Iron Mike. Na Universidade de Pittsburgh, praticou três esportes e se formou como All-American por unanimidade.

O Chicago Bears o escolheu na quinta posição geral do draft de 1961 e, em uma única temporada, o calouro, nascido em 18 de outubro de 1939, mudou a ideia do que um tight end podia ser: 56 recepções, 1.076 jardas, 12 touchdowns, o prêmio de Calouro do Ano e a primeira temporada de um jogador da posição com mais de 1.000 jardas. Bloqueava como um jogador de linha e tratava os defensores como um mero incômodo. Foi ao Pro Bowl em cada uma de suas cinco primeiras temporadas e, em dezembro de 1963, fez parte do time que derrotou o New York Giants por 14 a 10 no Wrigley Field e conquistou o título da NFL. Então veio o primeiro rompimento com George Halas, fundador e proprietário do clube. Os dois se desentenderam por causa de dinheiro, e Ditka foi embora com uma frase que Chicago ainda repete: o velho, disse ele, “jogava moedas de cinco centavos por aí como se fossem tampas de bueiro”. Em 1967, o Bears o trocou com o Philadelphia Eagles.

Depois de duas temporadas na Filadélfia, a transferência para Dallas salvou a segunda metade de sua carreira como jogador. Pelo Cowboys, recebeu um passe para touchdown no Super Bowl VI, vitória por 24 a 3 sobre o Miami, e, quando se aposentou, em 1973, acumulava 427 recepções, 5.812 jardas e 43 touchdowns. Tom Landry o manteve como assistente por nove temporadas, até a vitória no Super Bowl XII. Em 1978, Ditka escreveu a Halas pedindo o cargo de técnico do Bears. “Vou trazer de volta a tradição e o orgulho do Chicago Bears. Prometo”, dizia a carta. Halas, que já o havia dispensado por causa de dinheiro, o contratou em 1982.

O time que ele montou chegou ao auge na temporada de 1985. O Bears venceu seus 12 primeiros jogos, perdeu apenas uma vez — por 38 a 24 em Miami, numa noite de segunda-feira —, não sofreu nenhum ponto contra o Giants e o Los Angeles Rams nos playoffs e derrotou o New England Patriots por 46 a 10 no Super Bowl XX, então a vitória mais desequilibrada da história da decisão. Antes da final da conferência, Ditka deu à cidade sua descrição favorita de si mesma: dividiu a liga entre os Smiths de cabelos claros e os esforçados Grabowskis e colocou seu time, sem hesitar, no segundo grupo. Seus jogadores gravaram The Super Bowl Shuffle. Ditka foi eleito Técnico do Ano e, em 1988, ainda à beira do campo, tornou-se o primeiro tight end a entrar no Pro Football Hall of Fame. Naquela temporada, voltou a ganhar o prêmio de Técnico do Ano, apesar de ter sofrido um ataque cardíaco.

O problema está no que veio depois. Aquele elenco era jovem, profundo e excepcionalmente bom, mas os números mostram o quanto pouco disso se converteu em resultados: sete classificações para os playoffs e três finais da NFC em 11 temporadas, sem voltar ao Super Bowl. Parte da explicação estava dentro do próprio clube. Buddy Ryan, coordenador defensivo cuja unidade fez grande parte do estrago em 1985, entrou em conflito tão aberto com Ditka que os dois precisaram ser separados depois de trocarem socos; Ryan foi para a Filadélfia após o título. Na tarde mais importante de sua carreira, Ditka também permitiu que o calouro William Perry, tackle defensivo, marcasse da linha de uma jarda em vez de Walter Payton, o maior jogador da história do clube. “Eu realmente me arrependo muito”, disse ele anos depois. Michael McCaskey, neto de Halas e presidente do clube, o demitiu em janeiro de 1993, após uma temporada de cinco vitórias e 11 derrotas. “Não sou nenhum caso especial”, disse Ditka aos repórteres ao sair.

Em New Orleans, a história foi mais dura. Ditka assumiu o Saints em 1997 e, em 1999, trocou todas as escolhas do clube naquele draft, além de escolhas do ano seguinte, para subir no recrutamento e selecionar o running back Ricky Williams. O Saints terminou com três vitórias e 13 derrotas e demitiu Ditka em janeiro de 2000, depois de um retrospecto de 15 vitórias e 33 derrotas em três temporadas.

A televisão o manteve sob os holofotes: primeiro a NBC, depois a CBS e, por muitos anos, a ESPN, no Sunday NFL Countdown. Seus restaurantes e o Saturday Night Live também ajudaram: os quadros “Bill Swerski’s Superfans”, com uma mesa de torcedores de óculos escuros brindando a “Da Bears”, fizeram dele o santo padroeiro da autodepreciação de uma cidade. Longe do futebol, porém, ele nem sempre se saía tão bem. Em 2017, ao falar sobre jogadores que protestavam durante o hino nacional, disse que “não houve opressão nos últimos 100 anos, pelo que sei”; depois, pediu desculpas e afirmou que tinha “visto opressão, sim”. Em 1985, ano de seu maior triunfo, foi preso por dirigir embriagado perto do aeroporto O’Hare e posteriormente condenado.

Seu primeiro casamento, com Marge, em 1961, teve quatro filhos e terminou em divórcio, em 1973. Em 1977, casou-se com Diana. Depois do susto de 1988, sofreu um pequeno AVC em 2012 e outro ataque cardíaco em 2018, em Naples, na Flórida, onde viveu por muitos anos. Morreu em 9 de outubro de 2026, aos 86 anos, cercado pela família e por amigos, segundo um porta-voz da família; a notícia foi anunciada por Jarrett Payton, filho de Walter Payton. A causa da morte não foi divulgada. Naquela noite, as antenas da Willis Tower brilharam em laranja e azul.

Ele continua sendo o único homem a fazer parte dos dois últimos títulos do Bears, como jogador em 1963 e como técnico principal em 1985, e uma das duas únicas pessoas, ao lado de Tom Flores, a ganhar um Super Bowl como jogador, assistente e técnico principal. A cidade se reconhecia num técnico que enfrentava publicamente tanto sua própria equipe quanto os donos do clube e que, no dia em que foi demitido, disse que sua vida tinha sido “um milagre” por causa do jogo. Nas décadas seguintes, o Bears não conseguiu emendar três temporadas consecutivas com mais vitórias do que derrotas, e todos os técnicos que passaram por aquela lateral do campo, cedo ou tarde, acabaram comparados ao homem de suéter.

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