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Drake Maye não enterra a derrota dos Patriots no Super Bowl: o Seattle o espera na estreia

Jack T. Taylor

Todo quarterback aprende cedo o mesmo truque de sobrevivência: esquecer. Lançou uma interceptação, perdeu o jogo, deixa para lá, dorme, segue em frente. A memória é inimiga. Drake Maye decidiu fazer o oposto. Meses depois da pior noite de sua vida no futebol americano, o quarterback do New England Patriots continua revisitando as gravações, pausando as jogadas que o derrotaram e se colocando nelas de propósito.

Essa recusa é a verdadeira história da offseason de New England, e ela é mais estranha do que as duas narrativas bem arrumadas em que a cobertura se acomodou. Um lado já decidiu que o Super Bowl o quebrou — e, com ele, a janela de oportunidade do time. O outro vende um suave arco de redenção: jovem, noite humilhante, ele vai crescer. Maye não oferece nenhum dos dois confortos. Ele assume, de forma total e sem piscar, uma derrota que a maioria dos jogadores passaria o verão tentando justificar.

Questionado sobre quais jogadas da final gostaria de ter de volta, ele não escolheu uma só. “O que eu gostaria de ter de volta? Gostaria de voltar ao começo e refazer tudo”, disse. É a resposta menos evasiva que um quarterback derrotado pode dar — não um passe específico, não um quique ruim da bola, mas tudo. Ele disse que o desfecho “o corrói”, que, quando a defesa manteve o jogo ao alcance, colocar pontos no placar era trabalho dele, e ele não fez isso. Não há clichê de vestiário nisso. Há um competidor acusando a si mesmo.

O sinal está no que ele faz com as gravações. A maioria dos jogadores coloca uma derrota dessas em quarentena. Maye assiste a ela. “Você certamente dá uma olhada”, disse — os passes que agora evitaria, as leituras que quer rever. Parece masoquismo. Está mais para um artesão que se recusa a deixar um trabalho malfeito sair de sua oficina sem ser examinado. A característica que o levou de calouro cru a titular em um Super Bowl em duas temporadas é a mesma que aparece aqui: ele não desvia o olhar daquilo que o feriu.

E doeu em mais do que seu orgulho. Maye disputou o maior jogo de sua carreira com um ombro que havia lesionado semanas antes, na final da AFC, ao aplicar um stiff-arm em um linebacker de Denver e derrubá-lo no gramado. Ele sofreu seis sacks atrás de um left tackle calouro e levou pancadas muito depois de a bola já ter saído. Lançou duas interceptações, perdeu um fumble e, ainda assim, arrancou dois touchdowns dos escombros no quarto período, quando o resultado já estava definido. O corpo estava comprometido. A recusa em desistir, não.

Agora, a tabela fez algo quase cruel, e Maye parece entusiasmado com isso. Os Patriots abrem a temporada fora de casa, em Seattle — contra o mesmo Seahawks que os derrotou por 29 a 13 no Levi’s Stadium, no mesmo estádio em que Seattle erguerá sua bandeira de campeão antes do pontapé inicial. É a primeira reedição de Super Bowl a abrir uma temporada da NFL em uma década. Maye chama isso de “uma chance de enfrentar um adversário que deixou um gosto ruim na nossa boca”, uma motivação que, segundo ele, fará seu time trabalhar.

É aqui que a responsabilidade deixa de ser uma virtude de entrevista coletiva e se torna um risco. A defesa de Seattle não piorou; ela volta carregada, a unidade que o derrubou seis vezes e viveu em seu backfield. Noite de abertura, torcida ensurdecedora, o exato adversário que o expôs — New England entregou a seu jovem quarterback a maneira mais difícil possível de descobrir se um verão encarando a derrota construiu algo ou apenas a reabriu. O técnico Mike Vrabel agora tem um vestiário que viu seu passador assumir a culpa e se recusar a distribuí-la.

A maioria dos quarterbacks gostaria de enfrentar qualquer time, menos Seattle, primeiro. Maye quer Seattle primeiro. Em nove de setembro, no estádio mais barulhento da liga, ele descobrirá se todas aquelas gravações foram remédio ou uma ferida que ele continuou cutucando — e se um garoto que não consegue esquecer uma derrota pode finalmente fazer algo a respeito.

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