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Andrew Scott lê o céu e Brendan Fraser carrega a guerra em A Pressão, de Maras

Jun Satō

A maior invasão marítima já tentada depende de um barômetro. É a situação que Anthony Maras encena em A Pressão: uma campanha decidida não na praia, mas em uma sala apertada do litoral inglês, onde um meteorologista escocês lê cartas de pressão enquanto os comandantes mais poderosos do continente esperam que ele fale. O inimigo é o tempo. A previsão é a única arma na sala.

Marés, luar e uma fresta estreita entre as tempestades deixam ao comando aliado uma janela de poucos dias. Perdê-la significa recolher a frota, deixar o segredo vazar, ver a vantagem apodrecer. O capitão James Stagg precisa ler três sistemas que se fecham sobre o Canal e dizer ao alto comando o que o céu fará. Errar para um lado ou para o outro, e homens se afogam ou a guerra está perdida. Maras mantém a violência fora de quadro e entrega o trabalho à espera.

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Andrew Scott interpreta Stagg como contenção. A atuação vive do que retém: um homem certo de seus números e ciente de que ninguém na sala quer ouvi-los, que mantém a voz firme enquanto a pressão sobe. Brendan Fraser, como Dwight D. Eisenhower, oferece o contrapeso. Seu Eisenhower é o comando entendido como o trabalho de absorver a certeza alheia e carregar sozinho o custo da ordem. O elenco se lê como um argumento sobre temperamento sob carga, não como brilho de estrelas.

Maras se fez um nome com o confinamento. O filme que o revelou comprimiu uma atrocidade real em corredores e escadas e fez do medo uma questão de proximidade. A Pressão volta a estreitar o quadro e troca um hotel sitiado por uma estação meteorológica e um mapa de comando. O instinto é o mesmo: tomar um fato cujo final já está nos livros e buscar a tensão nos minutos que ninguém filmou, nas discussões e nas dúvidas que a história reduz a uma única linha.

A história dá a Maras o seu relógio. Na véspera da travessia prevista, uma vasta depressão atlântica avançava sobre o Canal, e a equipe americana, liderada por Krick, lia os mesmos dados e queria zarpar. Stagg viu abrir-se uma breve crista de alta pressão atrás da frente, uma janela de talvez um dia, e apostou tudo nela. O desembarque foi adiado por vinte e quatro horas e depois confiado a essa fresta estreita. O filme faz desse desacordo a sua verdadeira batalha: dois modos de ler o mesmo céu, com a invasão como aposta.

A direção de arte carrega o sentido. O filme vive entre barógrafos e instrumentos de latão, cartas redesenhadas à mão, telefones que tocam más notícias, chuva trabalhando os vidros de uma casa requisitada. O som faz o trabalho pesado. A tempestade fica fora do quadro, presente apenas como tempo contra o vidro e como o zumbido de uma sala que não consegue dormir. Maras trata os instrumentos como personagens e o mapa como palco. A textura é o argumento. Uma guerra pode girar sobre uma isóbara.

Em torno dos dois protagonistas, Maras mantém uma sala que trabalha. A Summersby de Kerry Condon circula por ela como o mais próximo de uma consciência, a única pessoa a quem é permitido registrar o que a decisão custa. Operadoras empurram marcadores sobre um mapa, radiotelegrafistas mantêm as linhas abertas, oficiais subalternos levam papéis entre mesas que nenhuma história vai nomear. O filme é melhor quando observa essas mãos em vez dos rostos célebres, quando o peso da ordem recai sobre quem não pode dá-la.

O que A Pressão não consegue escapar é do seu final. Todos sabem que a invasão zarpou, então o suspense tem de vir de outro lugar que não o desfecho, e uma peça de câmara sobre uma previsão pede ao público que ache em uma discussão meteorológica a mesma tensão de um desembarque. O filme também arrisca no esquema dos grandes homens. Construído em torno de Eisenhower e Stagg, pode deixar Kay Summersby e o meteorologista americano discordante como móveis em vez de pessoas, e uma história tão fechada não tem onde esconder uma cena fraca.

Kerry Condon vive a capitã Kay Summersby, motorista e assistente de Eisenhower. Chris Messina é Irving P. Krick, o meteorologista americano cujo otimismo colide com a cautela de Stagg. Damian Lewis aparece como o marechal de campo Bernard Montgomery. Maras dirige a partir do registro histórico da previsão que adiou o desembarque em um dia e faz do desacordo entre os dois meteorologistas a espinha dorsal do drama. O trabalho de gênero é feito por cartas e relógios, não por combate.

A Pressão tem 100 minutos e se posiciona como thriller com a história e a guerra por trás. Depois da estreia nos Estados Unidos, a data brasileira ainda não foi confirmada até o momento desta publicação, dentro de uma chegada internacional que se estende pelo outono do hemisfério norte. O filme chega perguntando se a ordem mais decisiva da guerra foi, no fim, uma leitura do céu.

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