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Ari Emanuel chama de “lixo” a ação contra a fusão Paramount-Warner e a vende como a cura de Hollywood

Veronica Loop

O agente mais poderoso de Hollywood quase nunca toma partido publicamente quando dois estúdios com quem negocia tentam se fundir — sua alavancagem depende de manter todos os compradores na mesa. Por isso, Ari Emanuel argumentar, por escrito, que a Paramount deveria engolir a Warner Bros. Discovery é menos uma opinião jurídica do que um sinal de quão existencial a classe de negociadores da cidade considera agora a questão de escala. Quando o homem que vende talentos para o maior lance começa a fazer lobby por menos compradores, a matemática da indústria mudou.

Em um op-ed para o The Wall Street Journal, divulgado primeiro pelo Deadline, Emanuel colocou seu peso por trás da aquisição pendente da Paramount sobre a Warner Bros. Discovery e descartou o processo antitruste que tenta bloqueá-la como ‘lixo’. Sua acusação central é que o caso ‘não reflete nem de longe a realidade’, ignorando as forças que mais crescem no negócio — Amazon, A24, Lionsgate, Netflix, YouTube, videogames e, como ele disse, ‘tudo o mais em uma tela’.

O argumento é enquadrado como uma defesa da concorrência, e não um ataque a ela. ‘A lei antitruste não pode ser uma ferramenta para resolver discussões, seja usada por um democrata ou republicano’, escreve Emanuel, alertando que os funcionários ‘dizem que estão protegendo a concorrência’ enquanto ‘suas ações ameaçam destruí-la’. É uma inversão marcante: os executores, em sua narrativa, são os aliados involuntários dos monopolistas, e a fusão é a cura do mercado.

Emanuel não é uma parte neutra. Como presidente-executivo do WME Group e do TKO Group Holdings, ele está no topo da agência e da maquinaria de eventos ao vivo que uma Paramount maior e solvente alimentaria. Seu discurso de ‘salvar Hollywood’ também se alinha perfeitamente com o do próprio comprador: a Paramount de David Ellison se comprometeu com uma postura voltada para o cinema que os clientes de Emanuel — cineastas que ainda querem telas, não apenas feeds — têm toda razão para aplaudir.

Do outro lado estão os procuradores-gerais estaduais que Emanuel tenta envergonhar para recuar, que argumentam que unir duas das últimas grandes bibliotecas de conteúdo em um único proprietário diminuirá a concorrência por talento, salários e público. Seu op-ed transforma uma batalha judicial em uma campanha de opinião pública, poder privado pressionando executores públicos através da página editorial.

Os detalhes que ele quer que os reguladores pesem estão nas letras miúdas: um negócio de aproximadamente US$ 110 bilhões, uma promessa de pelo menos 30 lançamentos nos cinemas por ano, uma janela exclusiva de 45 dias. Para um agente cuja fortuna depende de estúdios competindo entre si, argumentar para diminuir o campo de compradores é seu próprio tipo de sinal — Emanuel decidiu que uma Hollywood resgatada vale mais para ele do que uma lotada.

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