Atores

Cameron Diaz, a atriz que se aposentou no topo e voltou do zero

Penelope H. Fritz
Cameron Diaz
Cameron Diaz
Photo: Eva Rinaldi from Abbotsford, Australia / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento30 de agosto de 1972
San Diego, California, USA
OcupaçãoAtriz, modelo, empreendedora
Conhecido porShrek, Shrek 2, Minority Report: A Nova Lei
PrêmiosGlobo de Ouro · SAG · BAFTA · Hollywood Walk of Fame (2009)

Quando Cameron Diaz disse a Graham Norton que a década que passou longe das câmeras tinham sido os melhores anos de sua vida, não estava sendo gentil por obrigação. Ela acreditava nisso. Depois voltou assim mesmo.

Essa contradição — a atriz que se retira voluntariamente, não por fracasso ou cansaço, mas porque encontrou algo mais importante, e que retorna exatamente quando decide fazê-lo — é o que torna sua história mais difícil de resumir do que a manchete permite. A manchete diz: estrela se aposenta, estrela volta. A versão longa diz que a aposentadoria era a condição necessária para entender por que ela havia querido a carreira em primeiro lugar.

Ela nasceu em San Diego em 30 de agosto de 1972 e cresceu em Long Beach, Califórnia, em um lar que, segundo ela mesma descreveu, era suficientemente modesto para que a família recolhesse latinhas de refrigerante para ganhar um dinheiro extra. Seu pai Emilio tinha raízes cubano-espanholas de Cádiz; sua mãe Billie, ascendência inglesa e alemã. No Long Beach Polytechnic High School — onde Snoop Dogg estudava um ano à frente dela — assinou com a Elite Model Management aos dezesseis anos, ainda antes de terminar o ensino médio. Aos dezessete já estava em capas de revistas internacionais. Antes dos vinte anos, havia vivido e trabalhado no Japão, Austrália, México, Marrocos e Paris.

The Mask chegou em 1994 sem planejamento algum. Um agente da Elite a inscreveu no teste; ela tinha vinte e um anos, nenhuma formação como atriz, e entrou na sala de audição assim mesmo. O filme, que a colocou diante de Jim Carrey no auge de seu poder cômico físico, tornou-se um dos dez filmes de maior bilheteria daquele ano. Ela havia se tornado uma estrela de cinema, mais ou menos por acidente, antes de saber como sê-lo deliberadamente.

Cameron Diaz

O que veio nos cinco anos seguintes foi o retrato de alguém que define seus próprios limites em público. Algo pasa con Mary (1998) a estabeleceu como força cômica — o filme dos irmãos Farrelly lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e a tornou uma garantia de bilheteria. No ano seguinte, Spike Jonze a escolheu para Being John Malkovich como Lotte, uma personagem de desejo e transformação que ia contra tudo o que a indústria tinha codificado sobre ela. Segunda indicação ao Globo de Ouro. Dois filmes muito diferentes, dois modos de atuar radicalmente distintos, e o espaço entre eles mostrava que ela era mais variável do que a caixa da comédia deixava aparecer.

Ao longo dos anos 2000, ela operou em uma escala que o cinema contemporâneo raramente produz para uma única intérprete: As Panteras (2000) a tornou protagonista de uma franquia de ação e comédia; Gangs of New York (2002) a colocou em um filme de Martin Scorsese ao lado de Leonardo DiCaprio; a franquia Shrek lhe deu uma carreira paralela na animação que durou quase uma década. Em 2013, ela era a atriz mais bem paga de Hollywood com mais de quarenta anos, com cachês estimados em torno de vinte milhões de dólares por filme.

É aqui que a história crítica fica interessante. Quatro indicações ao Globo de Ouro, três ao SAG Awards, uma indicação ao BAFTA, uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. E nenhuma indicação ao Oscar, nem uma vez. A crítica a processou principalmente como intérprete cômica e comercial, mesmo quando trabalhava com Spike Jonze e Martin Scorsese e dava atuações que mereciam atenção. Being John Malkovich continua sendo o filme mais formalmente ambicioso do qual ela fez parte, e ela deu a ele o que precisava, mas os ciclos de indicações passaram sem reconhecê-la. A distância entre o que ganhou comercialmente e o que recebeu de reconhecimento crítico continua sendo uma das mais marcantes do início do século XXI em Hollywood.

Annie (2014) foi sua última atuação antes de dar um passo atrás. A aposentadoria se oficializou em março de 2018. Ela havia se casado com Benji Madden — guitarrista do Good Charlotte — em janeiro de 2015 em Beverly Hills. Teriam três filhos por barriga de aluguel: uma filha, Raddix Chloe Wildflower, nascida em dezembro de 2019, e dois filhos nascidos em março de 2024 e maio de 2026. Em 2020 cofundou a Avaline, marca de vinho orgânico. Já havia publicado The Body Book em 2013, best-seller do New York Times.

YouTube video

O anúncio do retorno para Back in Action (2025), comédia de ação com Jamie Foxx e o diretor Seth Gordon, não surpreendeu quem acompanhava o que a era do streaming estava fazendo com talentos adormecidos de Hollywood. O que surpreendeu foi a escala da resposta: 46,8 milhões de visualizações nos primeiros três dias na Netflix, a maior estreia de um filme em inglês na plataforma desde The Adam Project. O filme obteve 31% no Rotten Tomatoes e lhe garantiu um contrato de 45 milhões de dólares por dois filmes. Ela havia dito que arrependeria de desperdiçar sua paixão por fazer as pessoas rirem. Não tinha desperdiçado. Tinha guardado.

Outcome chegou à Apple TV+ em abril de 2026, uma comédia negra de Jonah Hill com Keanu Reeves e Matt Bomer. As críticas não foram generosas. O público assistiu mesmo assim.

Shrek 5, previsto para 30 de junho de 2027, traz de volta a Princesa Fiona ao lado de Mike Myers e Eddie Murphy, com Zendaya se juntando ao elenco como Felicia, a filha adolescente de Shrek e Fiona. A década que passou longe do cinema a tornou, paradoxalmente, mais presente na conversa cultural do que a anterior.

Filmes em destaque

Tags: , , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.