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Joaquin Phoenix: o ator que ganhou o Oscar e escolheu o mais difícil

Penelope H. Fritz

Antes de Arthur Fleck descer dançando uma escadaria com máscara de palhaço e os recordes de bilheteria para filmes com classificação restrita começarem a cair, havia uma pergunta que ninguém fazia sobre Joaquin Phoenix: o que ele faria com aquela espécie de capital cultural que Coringa representava? A resposta chegou em partes. Ele filmou o pesadelo onírico de três horas de Ari Aster. Ajudou a desenvolver um romance gay com Todd Haynes, acompanhou a construção dos sets em Guadalajara e abandonou o projeto cinco dias antes das filmagens. Assinou para um filme de horror psicológico de Lynne Ramsay no Ártico de 1910. O fio que une essas escolhas não é excenticidade — é a recusa sistemática de deixar qualquer conquista determinar o que vem depois.

Phoenix nasceu em San Juan, Porto Rico, em 1974, terceiro de cinco filhos de John e Arlyn Bottom, missionários americanos que trabalhavam para a seita milenarista Filhos de Deus. A família percorreu o Caribe antes de os pais abandonarem o culto e se mudarem para Los Angeles, trocando o sobrenome para Phoenix — o pássaro que renasce das cinzas — como declaração de intenção. Ele cresceu ao lado dos irmãos Rain, River, Liberty e Summer, começou a trabalhar em televisão ainda criança sob o nome de Leaf, e foi a morte do irmão mais velho que marcou sua primeira fase adulta mais do que qualquer papel.

River Phoenix morreu em 31 de outubro de 1993, de overdose, na frente de um clube em West Hollywood. Joaquin tinha dezenove anos e estava lá. Ligou para o 911. A decisão de continuar trabalhando não foi trivial, e o retorno com To Die For de Gus Van Sant em 1995, ao lado de Nicole Kidman, mostrou que ele conseguia ocupar uma cena com concentração total.

Ridley Scott estabeleceu o que Phoenix fazia com hostilidade voltada para dentro. Como o Imperador Commodus em Gladiador em 2000 — fisicamente miúdo, psicologicamente corrompido, o governante errado em todos os sentidos — ele entregou um antagonista cuja ameaça vinha da vaidade ferida, não da força. A primeira indicação ao Oscar foi por aquele papel. Ele perdeu, como perderia mais três vezes antes que a quinta indicação terminasse de forma diferente.

As derrotas traçam uma trajetória deliberada. Walk the Line em 2005, em que interpretou Johnny Cash cantando todas as músicas ao vivo, demonstrou disciplina total: Globo de Ouro ganho, Oscar não. The Master em 2012 com Paul Thomas Anderson operou em registro diferente: Freddie Quell, veterano de guerra em colapso, não é um personagem construído para gerar simpatia, e Phoenix o interpretou sem a segurança de torná-lo simpático. Her em 2013 é o contraponto: Theodore, apaixonado por um sistema operacional, é gentil, discretamente engraçado, capaz de alegria.

You Were Never Really Here de Lynne Ramsay em 2017 definiu a qualidade específica da colaboração dos dois. Oitenta e nove minutos, quase sem diálogo, um martelo como principal instrumento narrativo: Phoenix ganhou o prêmio de Melhor Ator em Cannes por uma atuação que existe principalmente no que não é dito. A confiança de Ramsay na capacidade dele para o silêncio é a base do próximo projeto dos dois, Polaris, horror psicológico no Ártico de 1910, com Rooney Mara no elenco e Jonny Greenwood na trilha sonora.

O capítulo crítico de sua carreira recente é o colapso de De Noche, porque foi quando a indústria parou de tratar a recusa de Phoenix como excentricidade encantadora e começou a calcular o que custa. Ele tinha desenvolvido a história. Tinha crédito de produtor. Cinco dias antes do início das filmagens, em agosto de 2024, desistiu. Pedro Pascal substituiu. Phoenix recusou explicar publicamente, dizendo apenas que os outros criativos mereciam dar sua versão. A indignação da indústria foi compreensível.

Polaris está confirmada como seu próximo projeto a partir de abril de 2026. Épico ártico com Ramsay e Mara, ambientado no Alasca de 1910, que Ramsay descreve como seu 2001. Phoenix está dentro.

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