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Owen Wilson, o astro da comédia cuja única indicação ao Oscar foi como roteirista

Penelope H. Fritz
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Owen Wilson
Owen Wilson
Photo: Owen_Wilson_Cannes_2011.jpg: Georges Biard derivative work: César (talk) / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento18 de novembro de 1968
Dallas, Texas, EUA
OcupaçãoAtor e roteirista
Conhecido porO Grande Hotel Budapeste, Extraordinário, O Fantástico Sr. Raposo
Prêmios2 Oscar (indicação) · 2 BAFTA (indicação) · ao Globo de Ouro (indicação) · Globo de Ouro (indicação)

Peça para alguém imitar Owen Wilson e você vai ouvir uma sílaba: um “uau” prolongado, com um toque de espanto. Pergunte pelo que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas o indicou e pouquíssimas pessoas acertam. Não foi por uma atuação. A única indicação de Wilson ao Oscar foi por um roteiro, The Royal Tenenbaums, escrito em parceria com Wes Anderson, amigo que conheceu quando era estudante no Texas e com quem fez três filmes antes que Hollywood descobrisse um uso muito mais lucrativo para seu rosto.

O restante da carreira pode ser visto como uma longa negociação entre essas duas versões do mesmo homem: o roteirista que nunca voltou de verdade e a voz que acabou vendendo sofás.

Owen Cunningham Wilson cresceu em Dallas, como o filho do meio de três irmãos, entre Andrew, o mais velho, e Luke, o mais novo — ambos também seguiriam carreira como atores. Seu pai, Robert Wilson, trabalhava com publicidade e dirigia uma emissora de televisão pública; sua mãe, Laura Wilson, é fotógrafa. O nariz que depois viraria piada recorrente foi quebrado duas vezes antes de ele completar 20 anos: uma numa briga na escola e outra durante uma partida de futebol com amigos. A St. Mark’s School of Texas o expulsou depois de um episódio de cola numa prova de geometria, e ele concluiu os estudos no New Mexico Military Institute. Na University of Texas at Austin, estudou inglês, mas não se formou; foi numa aula de dramaturgia que conheceu Anderson. Os dois viraram colegas de quarto e, depois, parceiros de roteiro.

O primeiro trabalho que escreveram foi Bottle Rocket, um curta que se transformou num longa de 1996 sobre três ladrões amadores do subúrbio do Texas. Wilson coescreveu o filme e interpretou Dignan, o autoproclamado gênio do crime com um plano para os próximos 75 anos, ao lado do irmão Luke. O filme quase não arrecadou nada nas bilheterias, mas Ben Stiller o viu logo no início e escalou Wilson para The Cable Guy, a primeira porta de entrada no sistema dos grandes estúdios. Vieram papéis coadjuvantes em Anaconda e Armageddon, além de um crédito como produtor executivo em As Good as It Gets, de James L. Brooks. Em 1998, coescreveu Rushmore, de Anderson, mas não atuou no filme: aparece apenas numa fotografia na tela.

A terceira parceria mudou de escala. The Royal Tenenbaums chegou aos cinemas em 2001, com Gene Hackman no papel do patriarca desacreditado de uma família de prodígios que perderam o brilho, e Wilson se escalou como Eli Cash, o vizinho romancista de faroeste que passa a vida querendo ser um Tenenbaum. O roteiro rendeu a ele e a Anderson indicações a melhor roteiro original tanto da Academia quanto do BAFTA. Visto hoje, é a expressão mais precisa do que havia na sensibilidade de Wilson antes que a fama a desgastasse: empatia por pessoas cujo talento atingiu o auge cedo demais e um ouvido atento à comédia da autoilusão.

A fama chegou ao mesmo tempo. Em 2000, ele interpretou o fora da lei despreocupado Roy O’Bannon ao lado de Jackie Chan em Shanghai Noon, que arrecadou quase US$ 100 milhões no mundo todo, e Kevin Rawley, o ex-noivo sereno e espiritual que faz Ben Stiller parecer pequeno, em Meet the Parents. Hackman, segundo relatos impressionado com o filme de Chan, recomendou Wilson para o thriller de guerra Behind Enemy Lines. Depois vieram Hansel, em Zoolander, Shanghai Knights, Starsky & Hutch e, em 2005, Wedding Crashers, com Vince Vaughn, que arrecadou mais de US$ 200 milhões só nos Estados Unidos. A imprensa o agrupou com Stiller, Vaughn, Will Ferrell e Jack Black sob o rótulo “Frat Pack”. No ano seguinte, ele emprestou a voz a Relâmpago McQueen em Carros, da Pixar, e interpretou o caubói em miniatura Jedediah em Night at the Museum, dois papéis que o transformaram numa presença constante nos quartos das crianças pelas duas décadas seguintes.

Owen Wilson
Owen Wilson

Houve um custo, e ele aparece nos créditos. A agenda lotada e um problema crônico nos seios da face impediram Wilson de coescrever o quarto longa de Anderson, The Life Aquatic with Steve Zissou; Noah Baumbach assumiu o trabalho, embora Anderson ainda tenha escrito especialmente para Wilson o papel de Ned Plimpton, possível filho de Bill Murray. The Royal Tenenbaums continua sendo o último roteiro que leva seu nome. Enquanto isso, a persona se desprendeu da pessoa: o jeito arrastado de falar, o sorriso torto e, acima de tudo, o “uau”, repetido em tantos filmes que fãs os editaram em montagens e a exclamação virou uma piada da internet com vida própria. Em 2017, uma rede britânica de lojas de móveis, a Sofology, criou uma campanha publicitária de 20 milhões de libras estrelada por ele. O rótulo Frat Pack era comercialmente elogioso e criticamente preguiçoso, pois colocava um roteirista com um olhar incomumente terno para o fracasso na mesma categoria de homens que faziam filmes muito diferentes. As comédias pagaram por tudo. Também tornaram fácil esquecer que ele já estivera na sala onde as piadas eram escritas.

Em agosto de 2007, o ritmo foi interrompido. Wilson foi hospitalizado após uma tentativa de suicídio e recebeu tratamento para depressão no St. John’s Health Center e no Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles. Dias depois, deixou Tropic Thunder, no qual havia sido escalado como o agente Rick Peck, e Matthew McConaughey assumiu o papel. O episódio atraiu um nível de atenção que ele não queria, e por anos Wilson evitou entrevistas. Quando finalmente falou sobre o assunto, à revista Esquire, em 2021, contou sobre o irmão Andrew, que foi morar em sua casa e montou uma agenda para cada dia, para que a vida se tornasse primeiro administrável e, muito depois, boa. Ele nunca falou mais do que isso, e não deve explicações a ninguém.

Os trabalhos seguintes foram mais discretos e, muitas vezes, melhores. Depois de Drillbit Taylor e de Marley & Eu, com Jennifer Aniston, ele dublou o treinador Skip na animação em stop-motion de Anderson, Fantastic Mr. Fox. Depois, Woody Allen o escalou como Gil Pender, um roteirista de Hollywood que preferia ser romancista e que, todas as noites à meia-noite, se vê em Paris nos anos 1920. Meia-Noite em Paris abriu o Festival de Cannes em 2011, tornou-se o filme de maior bilheteria da carreira de Allen e rendeu a Wilson uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator em comédia. Roger Ebert o chamou de “uma peça-chave no encanto do filme”. O papel combinava com ele até demais: um roteirista preso a um emprego lucrativo, saudoso de uma versão de si mesmo que vive em outro lugar.

Ele nunca deixou o círculo de Anderson, apenas reduziu sua participação. Foi um dos três irmãos distantes que cruzam a Índia de trem em The Darjeeling Limited, de 2007; interpretou M. Chuck em The Grand Budapest Hotel, de 2014, e o escritor de viagens e ciclista Herbsaint Sazerac em The French Dispatch, de 2021 — papéis pequenos, feitos com a precisão de quem entende como a máquina funciona. Paul Thomas Anderson lhe deu o papel de um saxofonista desaparecido em Inherent Vice e, em 2017, Wilson interpretou o pai equilibrado de um menino com uma diferença facial em Wonder, numa atuação que recuperou a serenidade encontrada por Allen. Entre esses trabalhos, vieram filmes de ação como No Escape, mais duas continuações de Carros e comédias de sucesso variado. Somados, seus filmes arrecadaram mais de US$ 2,25 bilhões apenas nos Estados Unidos e no Canadá.

O segundo ato inesperado veio da Marvel. Na série da Disney+ Loki, exibida de 2021 a 2023, Wilson interpretou Mobius M. Mobius, um agente da Autoridade de Variância Temporal que adora jet skis e tem o hábito de interrogar o deus da trapaça de Tom Hiddleston como se ele fosse um aluno um tanto decepcionante. O papel funcionou porque Wilson se recusou a transformá-lo numa máquina de piadas: Mobius era curioso, paciente e um pouco triste; as duas temporadas da série, com doze episódios ao todo, terminaram em novembro de 2023. Ele voltou a interpretar o personagem numa participação especial sem crédito em Ant-Man and the Wasp: Quantumania. Nesse período, também assumiu o papel do pintor de televisão pública Carl Nargle, no estilo de Bob Ross, em Paint, que também produziu como produtor executivo, e interpretou um padre em Haunted Mansion, da Disney.

A televisão então lhe deu um papel principal como não tinha há anos. Stick, criada por Jason Keller para a Apple TV+ e lançada em 4 de junho de 2025, traz Wilson como Pryce Cahill, um golfista profissional decadente apelidado de “the Stick” que vende tacos num driving range até descobrir um prodígio adolescente, Santi Wheeler, interpretado por Peter Dager. Marc Maron interpreta seu antigo caddie, Mariana Treviño é a mãe do garoto, e Wilson também atua como produtor executivo. Por baixo da comédia de viagem, há um luto que a série trata com seriedade: Pryce perdeu um filho ainda criança, e essa perda ajuda a moldar o personagem, em vez de servir como mero enfeite. A Apple renovou a série em julho de 2025.

A segunda temporada estreia em 4 de novembro de 2026, com dois episódios, seguida por um novo episódio por semana até 30 de dezembro. Desta vez, pressionado por seu antigo rival Clark Ross, interpretado por Timothy Olyphant, Pryce busca dar a volta por cima e se tornar o golfista mais velho a vencer um torneio major. Olyphant e Judy Greer, no papel da ex-mulher de Pryce, foram promovidos ao elenco fixo, e Rhea Seehorn entra como Amanda, uma nova treinadora que trabalha com ele.

A agenda de estreias no cinema tem sido excepcionalmente cheia. Runner, dirigido por Scott Waugh e lançado pela Angel Studios em 11 de setembro de 2026, coloca Wilson ao lado de Alan Ritchson numa corrida por Brisbane: Wilson interpreta Ben Bishop, um entregador de material médico que escolta um fígado destinado a uma menina de sete anos com um tipo sanguíneo extremamente raro, enquanto um cartel os persegue. Os críticos gostaram mais da ação e da química entre os dois protagonistas do que da história. Rolling Loud: The Movie, comédia de Jeremy Garelick lançada em 2 de outubro de 2026, escala Wilson como um pai superprotetor que dá um jeito de levar o filho de 13 anos escondido para um festival de hip-hop. Parte do filme foi rodada durante o Rolling Loud Miami, em 2024, quando Wilson subiu ao palco com Travis Scott; ele já disse que a experiência finalmente lhe rendeu alguma credibilidade com os próprios filhos. Em 25 de novembro de 2026, a Universal lança Focker-in-Law, o quarto filme da série Meet the Parents, dirigido por John Hamburg, no qual Wilson volta como Kevin Rawley, ao lado de Robert De Niro, Ben Stiller e Ariana Grande.

Wilson protege muito a vida pessoal. Tem três filhos: um menino, nascido em janeiro de 2011, com Jade Duell; outro menino, nascido em janeiro de 2014, com Caroline Lindqvist; e uma menina, nascida em outubro de 2018, com Varunie Vongsvirates. Seu pai morreu em 2017. Andrew e Luke continuam fazendo parte de sua vida profissional tanto quanto da familiar: os três irmãos fizeram juntos The Wendell Baker Story, e Luke atua ao lado dele desde as primeiras cenas de Bottle Rocket.

Três décadas depois daquele primeiro filme, o mais estranho na carreira de Owen Wilson é o quanto ela parece coerente quando vista de longe. O roteirista que criou Eli Cash, um homem desesperado para pertencer a uma família de gênios, virou uma estrela cujo melhor trabalho sempre volta à mesma figura: o homem encantador que desconfia de que seu auge ficou para trás. Pryce Cahill é esse homem com um taco de golfe. A Academia ainda o registra como roteirista, e a pergunta mais interessante sobre o que vem pela frente é se ele voltará a escrever para si mesmo.

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