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Ving Rhames, o ator que Hollywood sempre precisou sem saber exatamente como nomear

Penelope H. Fritz
Ving Rhames
Ving Rhames
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento12 de maio de 1959
Harlem, New York, United States
OcupaçãoAtor
Conhecido porPulp Fiction, Guardians of the Galaxy Vol. 2, The Wild Robot
PrêmiosGlobo de Ouro

Em 1998, Ving Rhames ganhou o Globo de Ouro de melhor ator em minissérie por Don King: Only in America, da HBO. Subiu ao palco, chamou Jack Lemmon — indicado naquela noite por outro filme — e colocou a estatueta nas mãos do ator mais velho. “Acredito que ser artista é dar”, disse. O gesto foi espontâneo, não ensaiado, e mais revelador do que qualquer papel que Rhames já interpretou.

Nasceu Irving Rameses Rhames no Harlem, filho de um mecânico e de uma dona de casa, e recebeu o nome em homenagem ao jornalista da NBC Irving R. Levine. Na SUNY Purchase, seu colega de quarto Stanley Tucci deu-lhe o apelido Ving. Formou-se na Escola de Drama da Juilliard em 1983, na mesma turma de Kevin Spacey.

Os primeiros anos foram de teatro e televisão secundária. A virada chegou com Pulp Fiction de Quentin Tarantino, em 1994. Marsellus Wallace aparece em poucas cenas, mas é o centro gravitacional do filme. Rhames o constrói com silêncio: uma ameaça que dispensa demonstração. No mesmo ano, Brian De Palma o escalou para Missão: Impossível como Luther Stickell. O que parecia um papel de suporte tornou-se o compromisso mais longo de sua carreira: vinte e nove anos, oito filmes, único membro do elenco secundário presente em todos. Em Missão: Impossível – O Ajuste Final (2025), Luther finalmente morreu: câncer, uma cela, uma bomba. O personagem que havia sobrevivido a tudo encontrou sua derrota em algo lento e inegável.

Ving Rhames, ator
Ving Rhames

Entre essas referências, Rhames construiu um portfólio variado. John Singleton o dirigiu em Rosewood (1997), drama histórico sobre o massacre de 1923 na Flórida. Emprestou a voz ao agente Cobra Bubbles em Lilo & Stitch (2002), dando ao filme animado uma seriedade inesperada. Trabalhou com Martin Scorsese em Bringing Out the Dead (1999) e novamente com Singleton em Baby Boy (2001).

A pergunta incômoda sobre Rhames é sobre a carreira que não aconteceu. Formado na Juilliard na mesma época que outros atores que foram ao cinema de autor, Rhames tomou o caminho do cinema de gênero: franquias, filmes de ação, papéis bem remunerados de suporte. O reconhecimento crítico que obteve veio exatamente nos momentos em que lhe foi dado espaço para ir além da função. O restante de sua filmografia conta a história de uma indústria que o preferia como peça de encaixe em vez de peça central.

Em janeiro de 2026, começou a apresentar History’s Deadliest with Ving Rhames no History Channel. Em abril de 2026, desmaiou em um restaurante em North Hollywood e foi levado ao hospital; seu representante confirmou que recebeu alta no mesmo dia e estava bem. Próximos projetos incluem The Mongoose com Liam Neeson e Marisa Tomei, e Painter com Walton Goggins.

É cristão praticante e atribui à fé algumas de suas decisões mais inesperadas, incluindo a entrega do Globo de Ouro. Vive em Santa Mônica, Califórnia, com sua esposa Deborah Reed, com quem é casado desde 2000.

Com o capítulo Luther Stickell encerrado, Rhames segue trabalhando em um ritmo diferente — como apresentador, como coadjuvante em projetos menores. Quarenta anos depois de deixar a Juilliard, a carreira não para: só muda de fase.

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