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Travis Knight, o diretor de Bumblebee que comanda a Laika com o dinheiro da Nike por trás

Penelope H. Fritz
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Travis Knight
Travis Knight
Photo: Thierry Sollerot from Vernon (Eure, Hte Normandie), FRANCE / CC0, via Wikimedia Commons
Nascimento13 de setembro de 1973
Hillsboro, Oregon, Estados Unidos
OcupaçãoDiretor de cinema e animador
Conhecido porKubo e as Cordas Mágicas, Bumblebee, Mestres do Universo
PrêmiosBAFTA · Globo de Ouro de melhor filme de animação · Prêmio Annie de melhor realização em animação de personagens em uma produção de longa-metragem · Prêmio da Visual Effects Society de melhor animação em um longa de animação (compartilhado)

Poucos diretores transitaram pelos dois lados da fronteira que Travis Knight cruzou neste ano. Para a Amazon e a Mattel, ele fez Mestres do Universo, um filme de He-Man com atores, pensado para atrair o público do verão. Para a Laika, o estúdio de animação em stop-motion do Oregon que comanda há boa parte da vida adulta, fez O Bosque Selvagem, uma aventura épica com bonecos sobre uma garota que entra numa floresta proibida para resgatar o irmão bebê das garras dos corvos. O blockbuster fracassou nas bilheterias. O filme de bonecos recebeu as melhores críticas da carreira de Knight e atraiu um público modesto. Qual dos dois filmes revela quem Travis Knight é continua sendo a pergunta que sua trajetória insiste em lhe fazer.

A resposta mais fácil começa pelo sobrenome. Knight é filho de Phil Knight, cofundador da Nike, e a Laika existe porque o dinheiro do pai comprou e depois reformulou o estúdio de outro homem. A resposta mais difícil é que ele passou a maior parte da vida profissional diante da bancada de um animador, movendo bonecos frações de milímetro por vez. Os filmes que assina carregam os hábitos de alguém que aprendeu o ofício antes de aprender a administrar uma empresa.

Ele nasceu em 13 de setembro de 1973, em Hillsboro, nos arredores de Portland, estudou na Jesuit High School, perto de Beaverton, e se formou na Portland State University. Sua primeira ambição era a música. Gravando como Chilly Tee, fez uma demo num estúdio montado dentro da casa da família, e ela chegou longe o bastante para que Hank Shocklee, cuja equipe de produção Bomb Squad moldou o som do Public Enemy, aceitasse produzir seu álbum. Get Off Mine foi lançado em 1993 e não chegou a lugar algum. Knight já disse que não gostava de se apresentar; Shocklee ainda defende o disco e atribui seu destino ao fato de um álbum de estreia ter surgido do nada num gênero movido pelo embalo.

A animação entrou em sua vida por uma porta aberta pelo pai. Em 1998, Phil Knight investiu na Will Vinton Studios, empresa de Portland cujo fundador cunhou a palavra Claymation, e o acordo levou Travis ao estúdio como estagiário. Ele trabalhou na animação de produções para a televisão, como The PJs, e aprendeu o ofício fazendo comerciais. Em 2003, o pai já controlava a empresa e Travis, sem experiência em gestão, ocupava uma cadeira no conselho. Vinton foi afastado, e, em 2005, o estúdio foi relançado como Laika.

Na Laika, ele se tornou o animador principal, trabalhando no chão do estúdio, e não no escritório da diretoria. Animou Coraline e o Mundo Secreto, adaptação de Henry Selick da obra de Neil Gaiman, e foi animador principal e produtor de ParaNorman e Os Boxtrolls. Seu trabalho de animação de personagens em ParaNorman lhe rendeu um Annie Award, e Os Boxtrolls trouxe sua primeira indicação ao Oscar de melhor animação, compartilhada com os diretores Anthony Stacchi e Graham Annable. Todos os longas da Laika lançados naquele período foram indicados ao Oscar. Nenhum venceu.

Ele finalmente estreou na direção com Kubo e as Cordas Mágicas, uma fábula de samurais apresentada pelo artista da Laika Shannon Tindle: um menino de um olho só que conta histórias com papéis dobrados e um shamisen e é perseguido pelo próprio avô, o Rei da Lua. O filme venceu o BAFTA de melhor animação, rendeu a Knight sua segunda indicação ao Oscar, ao lado da produtora Arianne Sutner, e se tornou um dos raríssimos longas de animação também indicados a efeitos visuais. Nos cinemas, teve dificuldades — um padrão que a Laika conhece bem.

Em seguida, a Paramount lhe entregou Bumblebee, seu primeiro filme com atores e o primeiro da série Transformers que não foi dirigido por Michael Bay. Knight, que cresceu com a linha original de brinquedos, ambientou a história nos anos 1980 e transformou um derivado sobre robôs em algo mais próximo de uma história de amadurecimento; muitos críticos o consideraram o melhor filme já feito para a franquia. De volta à Laika, produziu Link Perdido, vencedor do Globo de Ouro de melhor animação, que lhe rendeu uma terceira indicação ao Oscar e, ainda assim, foi mal nas bilheterias.

As críticas que acompanham Knight raramente dizem respeito aos filmes. O foco é a maneira como a Laika surgiu. O documentário Claydream conta a história de como Will Vinton perdeu a empresa para os Knight, e vários críticos concluíram que a Laika foi construída sobre o que Vinton havia criado; Travis e seu pai aparecem apenas em imagens de arquivo e de depoimentos, já que não participaram do documentário. A ligação com a Nike também funciona no sentido inverso. Knight faz parte do conselho da empresa desde 2015, e os documentos corporativos dizem que ele foi escolhido por seu papel na gestão das ações Classe A mantidas pela holding da família, a Swoosh. Um estúdio capaz de absorver uma sequência de filmes deficitários é um estúdio que tem um patrocinador. A independência da Laika é real justamente porque tem quem a financie.

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Essa tensão ficou mais evidente neste ano. Mestres do Universo, com Nicholas Galitzine no papel do príncipe Adam e Jared Leto como Esqueleto, estreou em 5 de junho na segunda posição, atrás do novo Scary Movie, com cerca de US$ 29 milhões na América do Norte, diante de um orçamento estimado em pelo menos US$ 170 milhões, e encerrou a carreira nos cinemas com quase US$ 113 milhões no mundo todo. Mais tarde, Knight disse à The Hollywood Reporter que a vida do filme no streaming era mais importante para a Amazon do que sua exibição nos cinemas e que ele merecia um destino melhor.

O Bosque Selvagem foi uma aposta oposta. Adaptado por Chris Butler do romance de Colin Meloy, vocalista do The Decemberists, e da ilustradora Carson Ellis, é o primeiro filme da Laika com classificação indicativa PG-13. Chegou aos cinemas americanos em 23 de outubro, com distribuição da Fathom Entertainment, em vez de um grande estúdio, depois de estrear no BFI London Film Festival e ganhar o prêmio do público em Sitges. Em entrevistas, Knight argumentou que os estúdios raramente respeitam o público jovem, e fez de propósito um conto de fadas que assusta crianças. As críticas foram quase unânimes. A estreia, com cerca de US$ 12 milhões e o terceiro lugar na América do Norte, não teve o mesmo tipo de aprovação.

Knight vive no Oregon com a mulher e os filhos e integra o conselho de curadores do Academy Museum of Motion Pictures. Os projetos anunciados apontam de volta para a oficina: a Laika o confirmou como diretor de The Night Gardener, um filme neo-noir escrito por Bill Dubuque, cocriador de Ozark, e de uma adaptação do romance Piranesi, de Susanna Clarke. Nenhum dos dois tem data de estreia. Knight já disse que voltaria de bom grado a Eternia se a Amazon quisesse fazer uma sequência, mas a aposta mais segura é que seu próximo filme será produzido quadro a quadro em Hillsboro, a poucos quilômetros de onde nasceu.

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