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A extensão de US$ 165 milhões de Baker Mayfield com os Bucs é uma aposta na garra, não no braço

Jack T. Taylor

Baker Mayfield passou a carreira inteira sendo tratado, em uma formulação educada após outra de diretoria, como problema dos outros. Cleveland seguiu em frente. Carolina o dispensou antes que as folhas mudassem. Ele chegou a Tampa Bay do jeito que um quarterback contratado chega a qualquer lugar — como um paliativo, um nome para segurar a posição até que a resposta real aparecesse. A resposta real, no fim das contas, era ele. Agora a franquia lhe entregou o maior contrato de sua história, e o número é menos uma recompensa do que uma confissão: não consegue imaginar o time sem ele.

A história fácil é de coroação — quarterback se destaca, time paga, todo mundo sorri para as câmeras. A mais afiada é uma aposta, e Tampa Bay sabe exatamente no que está apostando. Não no braço, que sempre foi bom o suficiente e raramente transcendente. A aposta é naquilo que é mais difícil de precificar: um homem que joga com mais raiva quando é descartado, e que passou uma década insistindo que ser descartado é o combustível.

Os termos são dinheiro sério. É uma extensão de três anos, US$ 165 milhões, a US$ 55 milhões por ano, mantendo-o sob contrato até 2029 — o acordo mais rico que os Buccaneers já escreveram. Esse valor o coloca no topo da tabela dos quarterbacks mais bem pagos da liga, no mesmo nível de Joe Burrow e Josh Allen, um degrau abaixo de Patrick Mahomes e Dak Prescott. Três anos atrás, Mayfield assinou com Tampa Bay por quatro milhões de dólares e uma chance de provar que ainda pertencia à liga. Os juros dessa aposta se multiplicaram rápido.

O que ele deu a eles justifica boa parte disso. Em três temporadas em Tampa, ele lançou para mais touchdowns do que todos os quarterbacks da liga, exceto um, e para mais jardas do que todos, exceto dois, e levou o time a dois títulos de divisão. Em 2024, ele completou mais de sete de cada dez passes e entrou na conversa de MVP. Esse é um currículo que merece um cheque grande.

É também um currículo com uma linha de falha atravessando-o, e a diretoria está pagando o preço integral mesmo assim. A temporada que gerou conversas de MVP caiu em uma segunda metade decepcionante no ano seguinte. O balanço dos playoffs, após três temporadas, tem uma única vitória. Até os analistas que gostaram da jogada a registraram com uma ressalva: picos altos, vales baixos, e US$ 55 milhões por ano é um número normalmente reservado para homens que achataram os vales. Tampa Bay está apostando que ele vai. Ainda não o viu fazer isso em janeiro.

A negociação mostrou quem ele é de forma mais clara do que qualquer melhores momentos. Ele estabeleceu um prazo no início do training camp e deixou passar sem assinar. Quando passou, ele disse que se sentiu desrespeitado e subvalorizado — as duas palavras que o perseguem desde a noite do draft — e o acordo que finalmente surgiu foi maior do que o que estava na mesa quando ele se afastou. Ele negociou do jeito que joga: convencido de que valia mais do que a sala acreditava, e sem vontade de piscar primeiro.

As pessoas que o conhecem há mais tempo não recorrem à mecânica dele para explicá-lo. Seu técnico do ensino médio recorreu à cozinha — “a gordura dele está sempre quente” — um homem permanentemente a um estalo de uma reação. Tampa Bay acaba de gastar o contrato mais rico de sua história para manter esse fogo aceso por mais quatro anos. Se der certo, não será porque os Buccaneers compraram um braço. Será porque finalmente apostaram na mágoa.

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