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Noah Wyle alerta Ellison: tirar a Paramount da Califórnia é ‘tirar Hollywood de Hollywood’

Veronica Loop

Todo debate sobre onde os filmes são produzidos acaba esbarrando em uma questão que nenhum balanço patrimonial consegue precificar: Hollywood é um conjunto de estúdios que pode ser transferido de caminhão para um estado mais barato ou um lugar cujo próprio nome é o produto? O aviso de David Ellison de que ele poderia tirar a Paramount da Califórnia trata a questão como a primeira opção — uma rubrica de cerca de meio bilhão de dólares por ano. Noah Wyle, respondendo tanto como ator em atividade quanto como alguém que viveu a vida toda em Los Angeles, insistiu nesta semana que é a segunda.

“Espero que isso seja uma ameaça, porque não consigo pensar em nada que faria a população desta indústria simpatizar menos com você do que dizer que vai tirar Hollywood de Hollywood”, disse a estrela de The Pitt, da HBO Max, à Variety durante a celebração da emissora para seus indicados ao Emmy, em Los Angeles, no domingo. Wyle deixou seu interesse na questão bem claro — ele vive na cidade que Ellison ameaça abandonar — e seu desconforto também funciona como um termômetro para uma comunidade criativa que passou dois anos absorvendo greves, retração e consolidação.

A ameaça de Ellison é, à primeira vista, um instrumento de negociação. O novo proprietário da Paramount quer que o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, faça um acordo em vez de levar adiante a contestação antitruste à sua fusão com a Warner Bros. Discovery, e a mudança de sede é a pressão que ele está disposto a mencionar abertamente. Até agora, Bonta se recusou a ceder, afirmando que a empresa “perdeu o rumo enquanto continua perdendo na Justiça”.

O que dá força à objeção de Wyle é que o êxodo que ele teme já está em curso, ainda que em escala menor. Incentivos fiscais vêm deslocando produções de forma constante para Geórgia, Texas e outros lugares, e o Writers Guild of America condenou publicamente o plano da Paramount como um ataque à força de trabalho que construiu o estúdio. Transferir um complexo histórico não é o mesmo que correr atrás de um incentivo para uma única filmagem; isso questiona se a mais ligada a um lugar entre as indústrias americanas ainda acredita precisar do seu lugar.

Os números são contundentes. Ellison sinalizou que poderia começar a mudança já em outubro caso não se chegue a um acordo, com o julgamento antitruste não previsto antes de março de 2027 e uma multa em curso de cerca de sete milhões de dólares por dia devida à Warner Bros. Discovery nesse intervalo. Ele disse a investidores que uma transferência poderia economizar cerca de quinhentos milhões de dólares por ano em impostos, e Tennessee — para onde seu pai, Larry Ellison, está transferindo a Oracle — está entre os destinos cortejados, ao lado de Texas e Geórgia.

Por enquanto, a ameaça existe sobretudo em colunas de imprensa e nos cálculos trimestrais, razão pela qual a escolha de palavras de Wyle importa mais do que suas chances de ser ouvido. Na televisão, ele interpreta um homem que luta para manter abertas as portas de um hospital sem recursos suficientes; fora das telas, pede à cidade que lhe paga para não decidir que seu próprio endereço é negociável.

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