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Anthony Hopkins, o ator que ganhou o Oscar dormindo no País de Gales

Com 88 anos, filmando nos vales galeses onde cresceu, Anthony Hopkins passou seis décadas provando que a coisa mais perigosa que faz é o que faz em silêncio. Ganhou um Oscar por dezesseis minutos de tela, o segundo chegou enquanto dormia, e agora interpreta Charles Darwin.
Penelope H. Fritz
Anthony Hopkins
Anthony Hopkins
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento31 de dezembro de 1937
Margam, Port Talbot, Glamorgan, Wales, UK
OcupaçãoAtor
Conhecido porO Silêncio dos Inocentes, Thor: Ragnarok, Thor

Há um número que acompanha Anthony Hopkins por onde quer que vá: dezesseis. Os minutos em que o Dr. Hannibal Lecter aparece na tela em O Silêncio dos Inocentes. Dezesseis minutos, e Hopkins ganhou o Oscar de melhor ator. O dado circula como maravilha, como estatística, como argumento de conversa — mas é, na verdade, uma pergunta que sua carreira vem respondendo desde então. Hopkins trata cada cena como se fosse a única.

Nasceu Philip Anthony Hopkins no último dia de 1937 em Margam, uma aldeia na beira de Port Talbot, no sul do País de Gales, filho de um padeiro. Descreveu como as palavras se organizavam em seu cérebro como algo característico da síndrome de Asperger, diagnóstico recebido já na casa dos setenta anos e que ele encontrou esclarecedor em vez de limitante. Estudou no Royal Welsh College of Music and Drama e depois na Royal Academy of Dramatic Art em Londres, onde Laurence Olivier o encorajou a se juntar ao National Theatre. Seu debut no cinema foi em 1968 em O Leão no Inverno, ao lado de Peter O’Toole e Katharine Hepburn. O alcoolismo veio na década seguinte; ingressou nos Alcoólicos Anônimos em 1975. Em junho de 2025, completou cinquenta anos de sobriedade.

O Hannibal Lecter de Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (1991) — canibal, culto, absolutamente imóvel — tornou-se uma das presenças mais precisamente construídas do cinema americano. A imobilidade era o instrumento. Onde outros atores preenchem uma cena com movimento, Hopkins removeu o ruído. O personagem parecia ter processado todas as possibilidades do ambiente antes que a porta se abrisse. Essa atuação, em menos de dezesseis minutos totais, rendeu-lhe seu primeiro Oscar.

Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes
Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes (1991)

Hopkins entregou o mordomo reprimido de O Que Resta do Dia (1993), a paranoia encurralada de Richard Nixon (1995) e a precisão oratória de John Quincy Adams em Amistad (1997) de Spielberg. Foi nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth II em 1993. Meu Pai (2020) de Florian Zeller lhe pediu fazer exatamente o oposto do que o tornou famoso: onde Lecter exercia controle total, Anthony é um homem a quem a demência vai despindo da arquitetura de si mesmo. Essa atuação rendeu a Hopkins seu segundo Oscar de melhor ator, aos 83 anos — o mais velho a ganhar o prêmio nessa categoria. Quando o resultado foi anunciado na cerimônia de 2021, Hopkins dormia no País de Gales. Soube da vitória na manhã seguinte.

Em janeiro de 2025, duas casas suas em Palisades foram consumidas pelos incêndios de Los Angeles. Em 2026 filma The Species como Charles Darwin, concluiu The Housekeeper com Helena Bonham Carter e grava A Visit to Grandpa’s de Dylan Thomas no País de Gales. Aos oitenta e oito anos, Hopkins continua simplesmente aparecendo no set, aprendendo o texto e encontrando na cena o que vale a pena interpretar.

https://www.youtube.com/watch?v=Di1iZqFYE1o

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