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Hideo Nakata, o diretor de Ringu que viu O Chamado superá-lo no Japão

Penelope H. Fritz
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Hideo Nakata
Hideo Nakata
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento19 de julho de 1961
Konkō, Okayama, Japan
OcupaçãoDiretor de cinema
Conhecido porO Chamado, O Chamado 2, Água Negra
PrêmiosArt Encouragement Prize for New Artists, Japan

A imagem mais assustadora que o cinema japonês exportou em sua época pertence a um homem que preferiria estar fazendo melodramas. Em Ringu, uma garota com os cabelos negros como uma cortina sai de um poço em uma fita de vídeo amaldiçoada e, depois, da própria televisão. A cena foi mais longe do que quase qualquer outra imagem do cinema japonês de sua geração: chegou a Hong Kong e Seul, ganhou uma refilmagem hollywoodiana e uma sequência que o próprio diretor acabou rodando em Los Angeles. Nas décadas seguintes, Hideo Nakata passou a ser apresentado como especialista em terror — embora tenha dito publicamente que não é esse o tipo de filme que realmente quer fazer. Sua carreira é uma longa negociação entre esses dois fatos.

Ele cresceu em Konkō, uma pequena cidade da província de Okayama, no oeste do Japão. Ingressou na Universidade de Tóquio pela área de ciências, com uma vaga garantida em física aplicada, mas mudou de rumo e se formou em estudos asiáticos na Faculdade de Artes e Ciências. O que o marcou ali foi o seminário de cinema do crítico Shigehiko Hasumi. Um conhecido que encontrou no bar que costumava frequentar durante a faculdade lhe conseguiu seu primeiro trabalho em um set: assistente de direção de Masahiro Shinoda.

Em 1985, entrou para o estúdio Nikkatsu, e seu aprendizado esteve longe de ser tranquilo. Trabalhou como assistente nos três primeiros filmes da comédia de delinquentes Be-Bop High School e nas produções Roman Porno da Nikkatsu, onde aprendeu com Masaru Konuma, diretor que admirava como fã. Os sets de Konuma eram brutais; mais tarde, Nakata brincou que sentia vontade de matar o mentor. Estreou na direção em 1992, com episódios de uma antologia de terror para a televisão. Naquele mesmo ano, uma bolsa do governo japonês para artistas o levou à Grã-Bretanha. Foi lá que começou Joseph Losey: The Man with Four Names, documentário sobre o diretor americano incluído na lista negra que reconstruiu a carreira na Inglaterra. A produção só foi concluída em 1998.

A porta se abriu com Don’t Look Up, uma história de fantasmas ambientada em um estúdio de cinema, lançada em 1996. O filme rendeu pouco, mas convenceu os produtores a lhe confiar Ringu. Adaptado por Hiroshi Takahashi do romance de Koji Suzuki e estrelado por Nanako Matsushima e Hiroyuki Sanada, o longa estreou no Japão em janeiro de 1998 e se tornou o lançamento de terror mais bem-sucedido que o país já tinha visto, dando início a uma onda de terror asiático. Ring 2 veio em 1999 e Dark Water, outra história de Suzuki, chegou em 2002, com Hitomi Kuroki no papel de uma mãe divorciada que vive com a filha pequena em um prédio onde a água não para de infiltrar pelo teto. Ao lado de Kiyoshi Kurosawa e Takashi Shimizu, Nakata é considerado um dos nomes que definiram o que ficou conhecido como J-horror.

Então, a história se voltou contra ele. A refilmagem americana de Gore Verbinski, O Chamado, estreou no Japão no fim de 2002 e faturou mais do que o original em seu próprio território: cerca de 1 bilhão de ienes até meados de novembro, contra aproximadamente 800 milhões do filme de Nakata. A DreamWorks lhe ofereceu O Chamado 2, com Naomi Watts de volta ao elenco, e ele aceitou. Depois de desistir de um projeto americano anterior, sua estreia em língua inglesa acabou sendo, em 2005, a sequência da refilmagem de seu próprio filme.

A versão heroica — a do mestre do J-horror que conquista Hollywood — não resiste ao que o próprio Nakata contou. Em 2008, ele disse ao The Hollywood Reporter que sua experiência nos Estados Unidos o havia deixado frustrado. E já tinha transformado essa frustração em filme: Foreign Filmmakers’ Guide to Hollywood, documentário financiado do próprio bolso e rodado em Los Angeles, no outono de 2005, com uma pequena câmera digital comprada para a ocasião. O filme se organiza em torno de sinal verde, cobertura de cenas e sessões de teste — práticas que, para ele, distinguiam Hollywood de todos os outros setores. De volta ao Japão, disse ao ScreenAnarchy: “No cinema japonês, posso agir como um rei”. Os filmes que mais se aproximavam de seu gosto pessoal foram justamente os que menos circularam. Sleeping Bride, adaptação de Osamu Tezuka lançada em 2000, era um melodrama que ele queria fazer havia anos. Sobre Kaidan, filme de época de 2007, disse que era “metade romance, metade história de fantasmas”, acrescentando que o público jovem em busca de sustos puros talvez tenha se sentido enganado e que o filme não foi selecionado nem por Cannes nem por Veneza.

A década seguinte continuou a puxá-lo em direções diferentes. Chatroom, filmado na Grã-Bretanha com Aaron Taylor-Johnson e Imogen Poots a partir de um roteiro de Enda Walsh, foi exibido na mostra Un Certain Regard, em Cannes, em 2010. Em 2016, Nakata voltou ao estúdio onde começou e dirigiu White Lily para o projeto Roman Porno Reboot, da Nikkatsu — seu primeiro filme do gênero como diretor, quase três décadas depois de trabalhar nele como assistente. Ele já havia acertado as contas com Konuma com o documentário Sadistic and Masochistic, em 2000. Em 2019, voltou à franquia que o consagrou com Sadako, estrelado por Elaiza Ikeda.

Seu maior sucesso comercial veio tarde e no gênero que, segundo ele, não é sua primeira paixão. Stigmatized Properties, lançado em 2020, traz Kazuya Kamenashi no papel de um comediante em dificuldades que passa a morar em apartamentos onde pessoas morreram. O filme arrecadou 2,34 bilhões de ienes e é considerado no Japão o maior sucesso doméstico de terror do século. Em torno dele, Nakata desenvolveu os thrillers de Stolen Identity: três filmes, entre 2018 e 2024, que partem da perda de um smartphone. Também codirigiu com Masaki Nishiura The Days, série da Netflix de 2023 sobre o desastre nuclear de Fukushima. Stigmatized Properties: Possession, com Shota Watanabe, estreou em julho de 2025.

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Seu crédito mais recente é na televisão. Em junho de 2026, a emissora japonesa WOWOW estreou The Consultant, drama adaptado de um romance coreano que Nakata codirigiu com Yoshinori Kobayashi. Kentaro Ito interpreta um aspirante a romancista que percebe que as pessoas estão morrendo exatamente como nas histórias que é contratado para escrever. Nascido em Konkō em 19 de julho de 1961, Nakata está agora com 65 anos, e nenhum novo longa foi anunciado. A pergunta que ele levantou com Kaidan continua em aberto: será que o público que aprendeu a temer uma televisão por causa dele acompanharia o diretor de Ringu em um filme feito para fazê-lo chorar?

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