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Sébastien Vaniček, diretor de A Morte do Demônio: Em Chamas, e a equipe que veio da periferia

Penelope H. Fritz
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Sébastien Vaniček
Sébastien Vaniček
Photo: VincentZafra / Illusion Story / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento19 de agosto de 1989
Nogent-sur-Marne, France
OcupaçãoDiretor de cinema e roteirista
Conhecido porA Morte do Demônio: Em Chamas, Infestação
PrêmiosSitges Film Festival Special Jury Prize (compartilhado) · Fantastic Fest Best Director, Horror Features

Na versão conhecida da história de Hollywood, um diretor francês estreia no cinema de gênero, chama a atenção, recebe uma ligação de um estúdio e desaparece dentro da máquina de outra pessoa. Sébastien Vaniček passou os últimos anos se recusando a seguir esse roteiro. Ele rejeitou roteiros já finalizados, fez questão de coescrever o novo capítulo da franquia de terror de Sam Raimi com seu parceiro de escrita de longa data e levou seus técnicos de confiança — vários deles amigos desde a infância — para o outro lado do mundo para filmar. Agora que A Morte do Demônio: Em Chamas chegou aos cinemas e passou a ser disponibilizado no streaming, a pergunta que sua carreira coloca é se essa lealdade é uma marca autoral ou um limite.

Essa lealdade tem endereço. Vaniček cresceu em Noisy-le-Grand, em Seine-Saint-Denis, no bairro de Pavé-Neuf, ao lado das Arènes de Picasso, os conjuntos habitacionais circulares dos subúrbios a leste de Paris. Sua família tem raízes tchecas, o que explica o háček em seu sobrenome. Assistir a Gladiador, de Ridley Scott, quando era menino despertou nele a vontade de dirigir. Começou a filmar com uma câmera digital de fotografia, depois com a filmadora da família e, no fim da adolescência, já escrevia, filmava e montava curtas com amigos do conjunto habitacional.

Nascido em 19 de agosto de 1989 em Nogent-sur-Marne, logo a leste de Paris, Vaniček passou pela universidade e por uma escola de cinema, mas não ficou muito tempo em nenhuma das duas. Aprendeu principalmente fazendo, e pagava o aluguel com trabalhos em um supermercado de Noisy e na Disneyland Paris. Em 2012, produziu por conta própria Marave Nachave, um filme de cerca de cinquenta minutos sobre um boxeador. Um encontro com o produtor e roteirista Étienne Ement levou a Mayday, em 2015, curta coescrito com Mathieu Abes que percorreu festivais e ganhou prêmios.

Crocs, de 2018, é o projeto que ele descreve como seu primeiro trabalho totalmente profissional: um curta sobre rinhas de cães, estrelado por Olivier Barthélémy e realizado com o apoio da região de Hauts-de-France, da France 2 e do CNC. Quando a pandemia desacelerou a produção, ele migrou para a internet e dirigiu o ator de comédia Jérôme Niel em Pas Bouger e Zer, em 2021, e Holo, em 2022. Ao longo de tudo isso, os mesmos rostos continuaram aparecendo atrás das câmeras. Amigos de infância se tornaram diretor de fotografia, técnico de som e dublê, e a equipe que ele reuniu naqueles anos é, em grande parte, a mesma que o acompanhou nos longas-metragens.

Infestação começou em novembro de 2021 como a ideia para mais um curta, no qual três amigos precisam atravessar um conjunto residencial infestado de aranhas. Seu produtor o incentivou a transformar a ideia em um longa. Escrito com Florent Bernard e produzido por Harry Tordjman, o filme foi rodado em 2022 em seu território, em Pavé-Neuf e dentro das Arènes de Picasso, com moradores, adolescentes da região e associações de bairro trabalhando diante e atrás das câmeras. Théo Christine interpreta Kaleb, um jovem obcecado por animais exóticos cuja mais recente aquisição escapa e se multiplica pelo edifício. Vaniček queria que as aranhas fossem lidas como uma metáfora: a repulsa imediata que provocam espelha o preconceito que boa parte da França dirige às pessoas da periferia, e o filme incorpora as relações tensas com a polícia, a sensação de que aquele território foi abandonado e a solidariedade que mantém o conjunto unido quando está sob ameaça.

O filme estreou em 2023 na Semana da Crítica de Veneza, seção independente realizada paralelamente à Mostra. Depois, dividiu o Prêmio Especial do Júri em Sitges e conquistou os prêmios de melhor filme e melhor direção na categoria de terror do Fantastic Fest, em Austin. Feito com cerca de cinco milhões de euros, vendeu 268.940 ingressos na França e recebeu três indicações ao César, entre elas a de melhor primeiro filme. Nos Estados Unidos, foi lançado pela Shudder como Infested, e Stephen King o elogiou publicamente.

A passagem pelo mercado americano trouxe ofertas de estúdios, e ele recusou todos os roteiros já finalizados que recebeu. Em outubro de 2023, Warner Bros., New Line Cinema e Ghost House Pictures o convidaram para desenvolver do zero um novo filme de Evil Dead. Ele e Bernard escreveram um documento de quinze páginas com a história e os personagens, e Vaniček se encontrou com Raimi em Los Angeles naquele novembro. O acordo, anunciado em fevereiro de 2024, permitiu que ele coescrevesse o roteiro com Bernard, levasse seus técnicos de confiança e fizesse a pós-produção na França; Raimi, como produtor, também lhe deu ampla liberdade criativa. A Morte do Demônio: Em Chamas foi filmado na Nova Zelândia entre julho e outubro de 2025, numa estadia de cerca de seis meses para o diretor, com orçamento de produção em torno de vinte milhões de dólares. Souheila Yacoub interpreta a protagonista, uma viúva que se hospeda na casa de campo da família do falecido marido, onde os parentes logo se transformam em Deadites. Hunter Doohan, Luciane Buchanan e Tandi Wright também estão no elenco. Vaniček disse que queria abordar a violência doméstica e as relações tóxicas por meio da personagem dela.

A recepção foi dividida, e essa divisão é reveladora. No The Hollywood Reporter, David Rooney elogiou a energia visual, os efeitos práticos e a atuação de Yacoub, mas considerou a história convencional e a violência mal dosada. O Le Monde viu um filme cheio de fúria e inventividade, feito por um diretor que transforma objetos domésticos em armas e dá à violência gráfica um núcleo íntimo de controle coercitivo, rejeição familiar e luto; a Télérama reconheceu nele uma abordagem feminista e uma protagonista mais complexa do que o terror costuma permitir. A bilheteria contou sua própria história. Lançado na França em 8 de julho de 2026 e nos Estados Unidos dois dias depois, o filme estreou muito abaixo de A Morte do Demônio: A Ascensão, o capítulo anterior, e arrecadou cerca de 72 milhões de dólares no mundo todo, diante de um orçamento de 20 milhões. Ficou confortavelmente acima dos custos, mas faturou aproximadamente metade do que A Morte do Demônio: A Ascensão arrecadou. O ponto incômodo da discussão é que o que lhe garantiu o convite foi justamente sua especificidade: um conjunto habitacional real, vizinhos reais e uma leitura social enraizada em um subúrbio. Uma casa de família sitiada na Nova Zelândia não oferece nada disso, e os críticos que consideraram A Morte do Demônio: Em Chamas convencional, na prática, perceberam o que a franquia lhe pediu para deixar em casa.

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A Morte do Demônio: Em Chamas chegou ao streaming da HBO Max em 2 de outubro de 2026. Vaniček ainda não anunciou seu próximo filme. Questionado em uma sessão de perguntas e respostas no Reddit, em julho, sobre qual propriedade intelectual mais gostaria de adaptar, ele citou O Máskara e disse que gostaria de se aproximar mais dos quadrinhos originais — que descreveu como muito, muito violentos e sombrios — do que da comédia de Jim Carrey. Era um desejo, não um acordo.

Seja lá o que vier a seguir, o teste é aquele que ele próprio definiu ao recusar os roteiros já finalizados: saber se um diretor que construiu seu nome filmando o próprio bairro consegue levar seu povo e seu ponto de vista para histórias que não se passam ali.

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