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Bradley Whitford, o pai assustador de Corra! que foi o idealista de Nos Bastidores do Poder

Penelope H. Fritz
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Bradley Whitford
Bradley Whitford
Photo: Photo by Aviva Perlman. Uploaded to Flickr on February 14, 2006, by clgregor. / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento10 de outubro de 1959
Madison, Wisconsin, United States
OcupaçãoAtor
Conhecido porCorra!, Filadélfia, Perfume de Mulher
Prêmios3 Emmy

Oito vezes por semana, no Vivian Beaumont Theater, em Nova York, Bradley Whitford entra em cena como o coronel Nathan Jessep, comandante dos Fuzileiros Navais que ordenou o espancamento que matou um soldado e que, diante de um tribunal, afirma com absoluta convicção que o país precisa de homens como ele na linha de frente. Décadas atrás, ele esteve na mesma peça do outro lado do banco das testemunhas, como o jovem advogado da Marinha que arranca dele a confissão. A distância entre aquelas duas cadeiras é a própria carreira. O público aprendeu a confiar em seu rosto pelos corredores de uma Casa Branca fictícia, e, desde então, ele passou os anos mostrando o quanto esse rosto pode esconder.

Madison, no Wisconsin, foi o lugar onde ele começou e para onde voltou. Seus pais, Genevieve Smith Whitford, poeta, e George Van Norman Whitford, o criaram em uma família quaker; entre os três e os 14 anos, a família viveu em Wayne, na Pensilvânia, e ele concluiu o ensino médio de volta a Madison. Na Wesleyan University, estudou inglês e teatro e dividiu o quarto com Paul Schiff, cujo irmão mais velho, Richard, mais tarde trabalharia com ele em uma sala de roteiristas de televisão. Depois, estudou na divisão de teatro da Juilliard School, na mesma turma que Wendell Pierce.

Whitford, nascido em 10 de outubro de 1959, deixou a Juilliard na faixa dos 20 anos, e sua primeira década de trabalho foi a de um coadjuvante versátil. Fez uma temporada na novela All My Children e, em seguida, uma série de filmes em que muitas vezes era o sujeito que o público deveria achar um pouco convencido demais: o namorado de Elisabeth Shue em Adventures in Babysitting, o sobrinho de Al Pacino em Scent of a Woman, um advogado em Philadelphia e o rival sorridente que tenta tomar a empresa da família de Adam Sandler em Billy Madison. A virada decisiva aconteceu no palco. Em 1990, estreou na Broadway em A Few Good Men, de Aaron Sorkin, como o tenente Jack Ross, o promotor; alguns meses depois, assumiu o papel principal, o tenente Daniel Kaffee. Era o início de uma parceria profissional que definiria sua carreira.

Sorkin o escalou como Josh Lyman, chefe adjunto de gabinete da Casa Branca, quando The West Wing estreou na NBC, em 1999. Josh era o motor da série: rápido, combativo e assumidamente vaidoso com a própria inteligência. Whitford interpretou o personagem por sete temporadas, ganhou o Emmy de melhor ator coadjuvante em série dramática em 2001 e escreveu dois episódios: “Faith Based Initiative”, na sexta temporada, e “Internal Displacement”, na sétima. Quando a série terminou, em 2006, ele seguiu direto para Studio 60 on the Sunset Strip, de Sorkin, como o produtor Danny Tripp.

A versão mais simples de sua história termina aí, com o querido integrante da equipe e a longa despedida. Mas ela deixa de fora o quanto a fase seguinte deu errado. Studio 60 durou apenas uma temporada. O mesmo aconteceu com a sitcom da ABC Trophy Wife e, mais tarde, com a comédia musical da NBC Perfect Harmony, enquanto a série policial da Fox The Good Guys chegou e foi embora em 2010. A televisão aberta continuava a apresentá-lo como um protagonista simpático, mas as séries não vingavam. Os papéis que permaneceram vieram de um ângulo mais inesperado. Na primeira temporada de Transparent, da Amazon, ele interpretou Marcy, um empresário que se vestia com roupas femininas, e ganhou um segundo Emmy por esse trabalho, em 2015, como ator convidado em uma série de comédia.

Então Jordan Peele percebeu o que as emissoras não tinham enxergado. Em Get Out, de 2017, Whitford é Dean Armitage, um neurocirurgião que recebe com entusiasmo expansivo o namorado negro da filha e garante que teria votado em Obama para um terceiro mandato. A piada funciona porque o público já chega confiando no homem que a conta. É justamente essa cordialidade que serve de armadilha. Um ano depois, The Handmaid’s Tale o apresentou como o comandante Joseph Lawrence, arquiteto da economia de Gilead, um intelectual frio com lampejos de decência. “Não sei onde esse cara vai parar”, admitiu Whitford na época. Duas participações na série lhe renderam o Emmy de melhor ator convidado em série dramática em 2019, tornando-o o primeiro artista a ganhar Emmys de atuação como convidado tanto em comédia quanto em drama. Ele permaneceu no elenco fixo até a série terminar, em 2025.

A fase atual reúne os dois lados. Em The Diplomat, da Netflix, criada por Debora Cahn, ex-roteirista de The West Wing, ele interpreta Todd Penn, marido de Grace Penn, vice-presidente que se torna presidente e é vivida por sua antiga colega de elenco Allison Janney. A terceira temporada o apresentou como ator convidado e lhe rendeu outra indicação ao Emmy em 2026, na categoria de melhor ator convidado em série dramática; o prêmio ficou com Ernest Harden Jr., de The Pitt. Na quarta temporada, lançada em 15 de outubro de 2026, a Netflix o tornou parte do elenco fixo, e uma trama que começa com Grace baleada do lado de fora do Castelo de Windsor coloca Todd no centro da série. Antes disso, ele interpretou James Blaine, o articulador republicano, em Death by Lightning, minissérie de 2025 da Netflix sobre o assassinato do presidente James Garfield.

O ritmo de trabalho no cinema também não diminuiu. Em março de 2026, ele interpretou Patrick Landry, um avô enlutado, em Reminders of Him, adaptação da Universal do romance de Colleen Hoover; no mesmo mês, estreou nos Estados Unidos a comédia independente For Worse, escrita e dirigida por sua mulher, Amy Landecker, e também produzida por ele. Em junho, apareceu como Peter Vance em Office Romance, comédia da Netflix estrelada por Jennifer Lopez e Brett Goldstein.

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Whitford se casou com a atriz Jane Kaczmarek em 1992; eles tiveram três filhos e, em 2002, fundaram a Clothes Off Our Back, instituição de caridade que leiloava roupas usadas no tapete vermelho. Eles se separaram em 2009, e o divórcio foi concluído em 2010. Ele conheceu Landecker em Transparent, série em que ela interpretava Sarah Pfefferman, e os dois fugiram para se casar em julho de 2019.

Em 30 de setembro de 2026, ele recebeu a 2.858ª estrela na Calçada da Fama de Hollywood, na categoria de televisão. Martin Sheen, Dulé Hill, Mary McCormack e Josh Malina compareceram à cerimônia, e Whitford aproveitou a ocasião para sugerir que a velha série poderia voltar como uma “minissérie de algum tipo”. Sobre Sorkin, ele disse: “Vou insistir com ele, vou insistir com ele.”

A montagem de A Few Good Men do Lincoln Center Theater, primeira remontagem da peça na Broadway, começou as prévias em 8 de outubro, sob a direção de Michael Arden, com Tom Blyth como Kaffee, e estreia oficialmente em 29 de outubro para uma temporada de 13 semanas. O ator que um dia interpretou o advogado em busca da verdade agora faz o discurso sobre por que ninguém pode ser encarregado de guardá-la — e o quanto ele consegue convencer o público com esse discurso é a medida de tudo o que construiu desde Josh Lyman.

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