Atores

Nathan Lane, a voz de Timão que esperou seis décadas para ser Willy Loman

Penelope H. Fritz
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Nathan Lane
Nathan Lane
Photo: Btvway / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento3 de fevereiro de 1956
Jersey City, New Jersey, USA
OcupaçãoAtor
Conhecido porO Rei Leão, O Rei Leão II: O Reino de Simba, A Família Addams 2
PrêmiosLaurence Olivier Awards · 2 Emmy · 2 Tony · star on Hollywood Walk of Fame · Drama Desk Award for Outstanding Actor in a Musical · Drama League · Lucille Lortel Award for Outstanding Lead Actor · Laurence Olivier Award for Best Actor in a Musical · Outer Critics Circle · Obie · SAG

Um menino de dez anos, em Jersey City, sentou-se diante da televisão da família e assistiu a um vendedor desmoronar. Era Death of a Salesman, de Arthur Miller, exibida pela CBS, e a peça o perturbou de um jeito que ele ainda não sabia explicar. “As outras crianças assistiam a Gilligan’s Island”, disse Nathan Lane décadas depois, “e eu fiquei hipnotizado pelo ataque de Arthur Miller ao capitalismo.” O público que cresceu com ele provavelmente apostaria no contrário. Para a maioria das pessoas, Lane é a voz de Timão, o suricato; o produtor picareta Max Bialystock; o atrapalhado Albert de The Birdcage: o homem que um teatro contrata para fazer a plateia lotar a casa e rir até doer.

Então, aos setenta anos, ele finalmente subiu ao palco do Winter Garden Theatre como Willy Loman. O papel que carregava consigo desde a infância chegou depois de três Tony Awards, três Emmys, um número recorde de indicações na categoria de participação especial e uma carreira que a indústria havia classificado, convenientemente, como comédia. Na noite anterior à estreia, ele disse ao The Guardian que a produção “poderia ser minha despedida da Broadway”. Ninguém que o acompanha de perto levou aquilo inteiramente como piada. A distância entre o menino que assistiu a Willy e o ator que finalmente o interpretou é o verdadeiro tema da trajetória profissional de Nathan Lane — e explica mais sobre ele do que qualquer lista de sucessos.

Uma infância em Jersey City que não pedia piadas

Ele nasceu Joseph Lane em 3 de fevereiro de 1956, o caçula de três filhos de uma família católica irlandesa-americana de Jersey City, em Nova Jersey. Seus quatro avós haviam vindo da Irlanda. O pai, Daniel, era caminhoneiro e queria ser tenor; o alcoolismo o matou em 1967, quando Joseph tinha onze anos. A mãe, Nora, trabalhava como secretária e vivia com uma depressão maníaca grave, condição que a família compreendia muito antes de alguém chamá-la de transtorno bipolar e que a levou ao hospital mais de uma vez. O irmão mais velho, Daniel Jr., tornou-se a figura estável da casa. Robert, o irmão do meio, completava uma família com pouco dinheiro e muita coisa para assimilar.

Naquela casa, a comédia era uma habilidade de sobrevivência antes de virar profissão. Lane já contou que a primeira risada que arrancou de uma plateia, numa peça da sexta série, foi o momento em que algo se encaixou. Na St. Peter’s Preparatory School, escola jesuíta de ensino médio em Jersey City, foi eleito melhor ator da turma de 1974. Depois, ganhou uma bolsa de estudos em teatro na Saint Joseph’s, na Filadélfia, mas ela não cobria o custo de vida, e a família não tinha como completar o valor. Então, ele simplesmente não foi para a faculdade e fez o curto trajeto até Nova York, cruzando o Hudson, para tentar a sorte.

Emprestando um nome de Guys and Dolls

O primeiro obstáculo foi burocrático. Quando foi se filiar à Actors’ Equity, o sindicato já tinha um Joseph Lane em seus registros, e dois integrantes não podiam usar o mesmo nome. Ele precisava escolher outro. Optou por Nathan, em referência a Nathan Detroit, o apostador eternamente noivo de Guys and Dolls, de Frank Loesser, papel que já havia interpretado em um jantar-teatro. A escolha pareceu um capricho. Acabou se revelando um prenúncio: mais de uma década depois, o papel de Nathan Detroit na Broadway lhe renderia sua primeira indicação ao Tony.

Os anos seguintes foram os habituais de aprendizado em Nova York, com menos romantismo do que a lenda sugere. Ele vendia produtos por telefone, fazia pesquisas e entregava telegramas cantados. Tentou a comédia stand-up numa dupla de curta duração com Patrick Stack. Interpretou Francis Flute em A Midsummer Night’s Dream, no Equity Library Theatre, em 1978, e trabalhou no circuito de jantar-teatro e em qualquer sala Off-Broadway que o aceitasse. Nada naquele período garantia uma carreira. O que ele desenvolveu foi resistência e o hábito de tratar cada trabalho, por menor que fosse, como uma oportunidade de ser a pessoa mais engraçada do lugar.

O longo caminho até a Broadway

Sua estreia na Broadway aconteceu em 1982, como Roland Maule, o jovem dramaturgo desequilibrado de Present Laughter, de Noël Coward, numa remontagem no Circle in the Square dirigida e protagonizada por George C. Scott. O trabalho lhe rendeu uma indicação ao Drama Desk e alguma atenção. O que veio depois não deu continuidade a esse começo de forma tranquila. Houve Merlin, o musical de 1983, notoriamente caro, centrado no mágico Doug Henning, sobre o qual Lane resumiria mais tarde que o maior truque de Henning foi fazer a plateia desaparecer. Houve também uma breve versão musical de The Wind in the Willows, em 1985, na qual interpretou Toad e que saiu de cartaz quase imediatamente.

A verdadeira base foi construída longe da Broadway, numa longa parceria com o dramaturgo Terrence McNally. Lane participou de The Lisbon Traviata, de uma remontagem de Bad Habits, de Lips Together, Teeth Apart e, em 1995, de Love! Valour! Compassion!, trabalhando com o Manhattan Theatre Club e outras companhias sem fins lucrativos que permitiam a um ator de comédia experimentar papéis que ninguém na Broadway lhe ofereceria. Também interpretou Shakespeare no Public Theater in the Park e recebeu um Obie Award por excelência contínua em 1992. Durante Love! Valour! Compassion!, seu diretor, Joe Mantello, disse ao ator de 39 anos algo que na época soou como um elogio: “Um dia vou dirigir você como Willy Loman.” Levou 31 anos, mas ele cumpriu a promessa.

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Nathan Detroit, Pseudolus e Max Bialystock

A consagração veio justamente onde o nome apontava. Em 1992, na remontagem de Guys and Dolls dirigida por Jerry Zaks no Martin Beck Theatre, Lane interpretou Nathan Detroit ao lado de Faith Prince e Peter Gallagher. A produção foi um dos maiores sucessos da década, e sua atuação lhe rendeu a primeira indicação ao Tony de melhor ator em musical, além dos prêmios Drama Desk e Outer Critics Circle. De repente, a Broadway tinha um protagonista que não tinha a aparência nem a voz de um protagonista convencional e que conseguia parar um espetáculo com uma irritação que crescia aos poucos.

Quatro anos depois, ele venceu. Como Pseudolus, o escravo cheio de artimanhas de A Funny Thing Happened on the Way to the Forum, de Stephen Sondheim, entregou o tipo de atuação que parece improvisada a cada noite, mas é construída com a precisão de um relojoeiro. O Tony de melhor ator em musical de 1996 veio acompanhado de novas vitórias no Drama Desk e no Outer Critics Circle. Naquele mesmo ano, apresentou sozinho a 50ª edição do Tony Awards; ele apresentaria ou dividiria o comando da cerimônia quatro vezes, em diferentes momentos ao lado de Glenn Close e Gregory Hines, Rosie O’Donnell e Matthew Broderick.

Para a maioria dos espectadores de teatro, o nome de Broderick vem logo depois do dele por causa do que aconteceu em 2001. Mel Brooks adaptou seu próprio filme de 1968, The Producers, para o formato de musical, e Lane interpretou Max Bialystock, o produtor da Broadway falido que planeja enriquecer com um fracasso garantido, tendo Broderick como o tímido contador Leo Bloom. O espetáculo ganhou 12 Tony Awards, um recorde, e se tornou o ingresso mais disputado de Nova York. Lane recebeu seu segundo Tony de melhor ator em musical. Mais tarde, ao interpretar Bialystock no West End londrino, também ganhou o Laurence Olivier Award, e cada retorno da dupla original à produção da Broadway fazia a bilheteria disparar novamente.

A parceria sobreviveu ao musical. Lane e Broderick voltaram a se reunir em 2005, numa remontagem de The Odd Couple, de Neil Simon, com Lane como Oscar Madison, e novamente em 2014, na comédia de bastidores It’s Only a Play, de McNally. Nesse intervalo, Lane reescreveu o texto de The Frogs, de Sondheim, e protagonizou a peça no Lincoln Center; interpretou Max Prince em Laughter on the 23rd Floor, de Simon, Sheridan Whiteside em The Man Who Came to Dinner e Ben Butley em Butley, de Simon Gray; e apareceu como um presidente americano azarado em November, de David Mamet. Em 2009, interpretou Estragon ao lado de Bill Irwin numa remontagem de Waiting for Godot, de Beckett, no Roundabout; um ano depois, foi Gomez no musical The Addams Family. Sua versatilidade já era muito maior do que sua reputação.

Timão, Albert e uma voz reconhecível no escuro

O cinema veio em paralelo, primeiro com pequenos papéis dramáticos que surpreendem quem só conhece seu lado cômico. Sua estreia nas telas foi em Ironweed (1987), de Héctor Babenco, ao lado de Jack Nicholson e Meryl Streep. Ele também esteve em Frankie and Johnny (1991), de Garry Marshall, e fez uma breve participação como sargento da delegacia em Addams Family Values (1993). O trabalho que faria sua voz chegar a centenas de milhões de pessoas veio em 1994: Timão, o suricato hiperativo de The Lion King, da Disney, que, junto do javali Pumba, transforma “Hakuna Matata” numa filosofia para um filhote de leão enlutado.

Timão nunca foi embora de verdade. Lane voltou a dublá-lo em The Lion King II: Simba’s Pride, em The Lion King 1½, que reconta a história original pelo ponto de vista do suricato, na série animada Timon & Pumbaa, que lhe rendeu seu primeiro Daytime Emmy, e no curta de 2023 Once Upon a Studio, produzido para o centenário da Disney. Seu segundo Daytime Emmy veio pela série animada Teacher’s Pet, em que interpretou um cachorro que quer ser menino. Ele foi o gato esnobe Snowbell nos filmes de Stuart Little, emprestou a voz a Titan A.E. e Astro Boy e, em 2024, interpretou Luno, o Oráculo da Lua, no musical da Netflix Spellbound. Para uma geração de crianças, sua voz chegou muito antes de seu rosto.

O rosto alcançou a voz em 1996, com The Birdcage. A refilmagem americana de La Cage aux Folles, dirigida por Mike Nichols e escrita por Elaine May, escalou Robin Williams como o dono de uma boate drag em South Beach e Lane como Albert, seu companheiro e a estrela da casa, que precisa fingir ser uma mãe convencional durante um jantar excruciante com um senador conservador. O filme foi um grande sucesso comercial. Albert, de Lane, com sua dignidade ferida e compostura trêmula, rendeu ao ator uma indicação ao Globo de Ouro e o prêmio de elenco do Screen Actors Guild, dividido com os colegas. O longa também colocou um casal gay no centro de uma comédia de um grande estúdio numa época em que isso ainda era raro — um fato que envelheceu melhor do que muitas das piadas ao redor.

Vieram outros papéis principais, sobretudo ao lado de Lee Evans na comédia pastelão Mouse Hunt (1997), de Gore Verbinski. Em Jeffrey (1995), integrou a comédia de Paul Rudnick sobre o amor nos anos da Aids. Em Nicholas Nickleby (2002), de Douglas McGrath, interpretou o empresário teatral Vincent Crummles e dividiu o prêmio de elenco do National Board of Review. Em 2005, ele e Broderick filmaram The Producers; o longa recebeu críticas variadas, mas rendeu a Lane uma segunda indicação ao Globo de Ouro. Filmes menores preencheram a década seguinte, entre eles Swing Vote, Mirror Mirror, The English Teacher, Carrie Pilby e The Vanishing of Sidney Hall.

Nathan Lane em Mirror Mirror (2012)
Nathan Lane em Mirror Mirror (2012)

Em 2023, ele se tornou uma presença inesperada nos projetos mais excêntricos da A24. Em Beau Is Afraid, de Ari Aster, interpretou Roger, o cirurgião dos subúrbios que, junto com a esposa Grace, acolhe o protagonista machucado de Joaquin Phoenix com uma gentileza que se transforma em algo sinistro. No mesmo ano, viveu Harris, o pai desaparecido havia muito tempo, na escrachada Dicks: The Musical, de Larry Charles. Os dois filmes dividiram o público; nenhum deles saiu prejudicado pela presença de Lane. Em ambos, ele pega um personagem que poderia ser um desenho animado e o interpreta com absoluta convicção — justamente o que torna o material mais engraçado ou mais perturbador.

Oito indicações ao Emmy antes da vitória

A televisão deu a Lane um recorde peculiar. Ele é o ator com o maior número de indicações ao Primetime Emmy nas categorias de participação especial: oito no total, distribuídas entre comédia e drama ao longo de quase três décadas. A primeira veio em 1995, por Frasier; a segunda, em 1998, por Mad About You. Depois, vieram mais três por Pepper Saltzman, o organizador de casamentos que passa por Modern Family como um pequeno tornado de desdém, e outra, na categoria de drama, por Clarke Hayden, o imperturbável administrador judicial encarregado de salvar o escritório de advocacia de The Good Wife.

A vitória finalmente chegou em 2022, por Teddy Dimas, o ameaçador magnata das delicatéssens que guarda um segredo de família em Only Murders in the Building, do Hulu. Teddy é um papel que mobiliza todos os recursos de Lane: o charme, a capacidade de se tornar ameaçador de repente e o timing cômico que deixa o público sem saber o que esperar. Ele voltou a ser indicado no ano seguinte e retornou à série em sua quinta temporada, em 2025. Seus próprios seriados de comédia tiveram menos sorte. One of the Boys, em 1982, Encore! Encore!, em 1998, e Charlie Lawrence, em 2003, ficaram pouco tempo no ar.

O trabalho televisivo mais revelador da última década foi no drama. Ele interpretou o advogado de defesa F. Lee Bailey na minissérie da FX The People v. O. J. Simpson: American Crime Story (2016) e integrou o elenco principal de Penny Dreadful: City of Angels (2020) como Lewis Michener, detetive de Los Angeles. De 2022 a 2025, viveu Ward McAllister, autoproclamado guardião da alta sociedade nova-iorquina, em The Gilded Age, da HBO. E, em 2024, na série da Netflix Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story, de Ryan Murphy, foi Dominick Dunne, o escritor que cobriu os julgamentos dos irmãos Menendez para a Vanity Fair enquanto carregava a lembrança do assassinato da própria filha.

Nathan Lane como Dominick Dunne em Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story
Nathan Lane em Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story (2024)

Uma galeria de vendedores

Observe os papéis dramáticos que Lane escolheu a partir dos 50 e tantos anos e surge um padrão quase perfeito demais. Em 2012, no Goodman Theatre, em Chicago, interpretou Theodore “Hickey” Hickman na montagem de cinco horas de The Iceman Cometh, de Eugene O’Neill, dirigida por Robert Falls. Hickey é um vendedor ambulante que chega sóbrio e tomado por fervor religioso a um bar à beira-mar, decidido a arrancar as ilusões de seus antigos companheiros de bebedeira, com resultados catastróficos. Brian Dennehy, que havia interpretado Willy Loman na Broadway em 1999, era Larry Slade. A produção esgotou os ingressos em Chicago e chegou à Brooklyn Academy of Music em 2015.

Três anos depois, veio Roy Cohn. Na remontagem de Angels in America, de Tony Kushner, dirigida por Marianne Elliott — primeiro no National Theatre, em Londres, em 2017, e depois na Broadway, em 2018 —, Lane interpretou o advogado gay enrustido e implacável que morre de Aids enquanto nega ter a doença. Foi o papel mais sombrio que havia assumido e lhe rendeu seu terceiro Tony Award, desta vez como ator coadjuvante em uma peça. Também fez dele um dos poucos artistas a ganhar Tonys tanto por comédia musical quanto por drama.

Em seguida, ele atuou na anárquica Gary: A Sequel to Titus Andronicus, de Taylor Mac, em 2019, e, em 2023, em Pictures from Home, de Sharr White, no Studio 54, interpretou Irving Sultan, o executivo de vendas aposentado cuja vida doméstica foi documentada durante anos pelo filho, o fotógrafo Larry Sultan. Hickey, Irving, Willy: um vendedor no fim da linha, repetidas vezes. Lane explicou essa guinada por meio de uma canção. Na última década, contou, não conseguia parar de pensar em “Is That All There Is?”, de Peggy Lee — a pergunta de fim de carreira que o afastou da risada garantida e o levou aos papéis que seu eu mais jovem mais desejava interpretar.

Ele é simpático demais para a tragédia?

A crítica que acompanha Lane nesta segunda etapa da carreira não diz respeito ao talento. Diz respeito ao carisma. O público chega a uma apresentação de Nathan Lane pronto para gostar dele, e as peças que escolheu recentemente exigem que as pessoas vejam um homem ser destruído ou sintam repulsa por ele. Nem todos os críticos acreditaram na transformação. Quando Death of a Salesman estreou, as resenhas se dividiram. A Variety descreveu a remontagem como sombria e sem sair do lugar, e uma crítica bastante citada argumentou que a gentileza natural de Lane era difícil de rebaixar até o desespero de Willy, reservando seus maiores elogios a Laurie Metcalf como Linda Loman. No Tony Awards, em junho, a produção venceu seis de suas nove indicações, mas o prêmio de melhor ator protagonista em uma peça foi para John Lithgow.

Há um contraponto razoável, e seu histórico o sustenta. As mesmas dúvidas surgiram antes de Hickey e Roy Cohn, atuações que hoje são as primeiras a serem citadas por seus colegas. A comédia de Lane sempre teve medo por baixo: Max Bialystock está a uma semana ruim da ruína, e Albert morre de medo de não ser querido. O cinema tem sido menos paciente do que o palco com sua versatilidade. A versão cinematográfica de The Producers nunca chegou à altura do espetáculo da Broadway, e Mid-Century Modern, a comédia do Hulu que deveria finalmente lhe dar uma série protagonizada por ele, foi cancelada depois de uma única temporada, apesar das boas críticas. A indústria sempre soube exatamente o que fazer com seu talento para fazer rir. Demorou mais para decidir o que fazer com o resto dele.

Willy Loman no Winter Garden

Nada disso impediu que a produção conquistasse os votantes da Broadway. A remontagem de Death of a Salesman dirigida por Joe Mantello começou as apresentações no Winter Garden Theatre em 6 de março de 2026 e estreou em 9 de abril, com Laurie Metcalf como Linda, Christopher Abbott como Biff e Ben Ahlers como Happy. Ficou em cartaz até 9 de agosto. Para Lane, o papel rondava sua vida havia três décadas: Brian Dennehy e Terrence McNally, ambos já falecidos, passaram anos dizendo que mal podiam esperar para vê-lo como Willy, e Mantello havia feito sua promessa em 1995.

O esforço físico fez parte da história. “Estou fazendo oito apresentações por semana e ainda não desabei”, disse ele em abril, acrescentando que “uma peça como esta cobra seu preço e exige muito de você”. Também disse que precisou de tempo “para me sentir à altura de interpretá-la”. Perguntado sobre o que viria depois, respondeu com a franqueza que sempre foi sua melhor defesa: “Ah, Jesus, quem diabos sabe?”

No Tony Awards de 7 de junho de 2026, a produção ganhou seis prêmios, incluindo melhor remontagem de uma peça, melhor direção para Mantello e um prêmio para Metcalf. Lane, indicado a melhor ator protagonista em uma peça ao lado de Lithgow, Daniel Radcliffe, Mark Strong e William Harrison, subiu ao palco para receber o prêmio de remontagem e aproveitou o momento para agradecer ao diretor e ao dramaturgo. Ele falou sobre “a genialidade de Arthur Miller, que criou esta obra-prima monumental, ainda tão tristemente relevante quanto era em 1949 e que continua nos ensinando quem somos como seres humanos e americanos”. Naquela temporada, ele também levou um prêmio para casa: o Outer Critics Circle Award por sua atuação como Willy. Foi sua sétima indicação ao Tony, um total que agora inclui três vitórias.

As telas depois de Mid-Century Modern

A série do Hulu merece mais do que uma nota de rodapé. Criada por Max Mutchnick e David Kohan, a dupla por trás de Will & Grace, e dirigida por James Burrows, Mid-Century Modern estreou em 28 de março de 2025 como uma herdeira assumidamente afetuosa de The Golden Girls. Lane, que também era produtor executivo, interpretou Bunny Schneiderman, o mais rico de três amigos gays que vão morar juntos em Palm Springs após a morte de um quarto amigo. Matt Bomer e Nathan Lee Graham eram seus companheiros de casa, e Linda Lavin interpretava Sybil, mãe de Bunny. Lavin morreu em dezembro de 2024, depois de filmar sete dos dez episódios, e os roteiristas incorporaram sua morte à história. O Hulu cancelou a série em setembro de 2025. “Dez episódios ótimos”, escreveu Mutchnick no Instagram. “Não foi suficiente.”

Outros trabalhos para o cinema ficaram inacabados, em vez de darem azar. Lane interpreta Damien, o patriarca da família, em Cut Off, comédia da Warner Bros. escrita e dirigida por Jonah Hill, na qual Hill e Kristen Wiig são irmãos ricos que de repente ficam sem o dinheiro dos pais, e Bette Midler interpreta a esposa de Lane. As filmagens aconteceram entre o outono de 2025 e o início de 2026, e a estreia estava prevista para 17 de julho de 2026, mas a data foi retirada do calendário; o filme continua em pós-produção, sem uma nova previsão de lançamento. Em janeiro de 2026, ele também apareceu em Mel Brooks: The 99 Year Old Man!, documentário em duas partes que homenageia o homem que lhe deu Max Bialystock.

Como ele arranca risadas

Qualquer descrição da técnica de Lane precisa começar pelo timing, que qualquer pessoa consegue ouvir: um ritmo parcialmente inspirado em Jackie Gleason e nos comediantes de vaudeville que interpretou em The Nance, em que a pausa antes da fala é tão cuidadosamente posicionada quanto a própria fala. A voz, mais aguda e elástica do que seu porte físico sugere, passa de um berro que preenche o palco a um sussurro sibilante numa única frase — por isso funciona tão bem para um suricato, um administrador judicial e um Roy Cohn moribundo.

O que não fica tão evidente é o medo por baixo. Seus melhores personagens cômicos são homens em apuros, artistas ou vigaristas que sabem que o ambiente pode se voltar contra eles a qualquer momento; seus melhores personagens dramáticos são esses mesmos homens sem as piadas. É essa continuidade que costuma escapar ao debate crítico sobre seu Willy. É difícil não relacionar isso ao menino que cresceu numa casa difícil, onde uma risada podia mudar o clima de um cômodo; o ator parece saber exatamente do que a risada está tentando proteger. The Nance, em que interpretou Chauncey Miles, um artista gay de vaudeville em Nova York nos anos 1930 que levava uma vida dupla, talvez seja a expressão mais clara disso: o papel lhe rendeu outra indicação ao Tony, em 2013, e foi exibido no programa Live from Lincoln Center, da PBS.

Uma vida privada exposta nos próprios termos

Lane se assumiu publicamente em 1999, numa entrevista à The Advocate, decisão que relacionou ao assassinato de Matthew Shepard, ocorrido no outono anterior, em Wyoming. Para uma estrela da Broadway e de Hollywood no auge de seu apelo comercial, foi um passo importante; isso aconteceu três anos depois de The Birdcage ter feito dele, para muitos espectadores, um dos personagens gays mais visíveis do cinema americano. Em 17 de novembro de 2015, depois de 18 anos juntos, ele se casou com o escritor e produtor Devlin Elliott. O casal divide o tempo entre Manhattan e East Hampton.

As homenagens institucionais foram se acumulando de forma constante. Ele recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 2006 e entrou para o American Theater Hall of Fame em 2008. O Drama Desk Awards, que já lhe concedeu sete prêmios competitivos, entregou a ele o Harold S. Prince Award por sua trajetória em 2024. Somem-se três Tonys em sete indicações, um Primetime Emmy e dois Daytime Emmys, o Olivier, o Obie e um prêmio do Screen Actors Guild, e a prateleira fica tão cheia quanto a de qualquer ator de teatro de sua geração.

O que vem agora

Desta vez, o próximo projeto é sobre ele. Em maio de 2026, o documentarista Matthew Miele, cujos filmes anteriores incluem Bob Mackie: Naked Illusion, anunciou um longa documental sobre a vida e a carreira de Lane, centrado em sua preparação e atuação como Willy Loman. Entre os participantes estão Matthew Broderick, Tony Kushner, Jean Smart, Laurie Metcalf, George C. Wolfe, Ann Roth, Mel Brooks e Mike Birbiglia. “Há pouquíssimos artistas que ainda carregam consigo não apenas um talento extraordinário, mas também a memória viva do próprio teatro”, disse Miele.

Antes disso, o filme que primeiro levou seu rosto ao mundo voltará a encontrá-lo. O Virginia Film Festival, em Charlottesville, de 21 a 25 de outubro de 2026, entregará a Lane o prêmio Visionary Award, com uma sessão especial de 30 anos de The Birdcage, seguida de uma conversa com Ben Mankiewicz, apresentador do Turner Classic Movies. Cut Off continua à espera de uma data. Quanto à Broadway, o homem que disse que Willy talvez fosse sua despedida ainda não anunciou outra peça. Considerando quanto tempo esperou pela última e como ela acabou sendo tão diferente do que qualquer pessoa esperava do comediante de Jersey City, ninguém deveria presumir que seu próximo passo será o mais óbvio.

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