Atores

Rosemarie DeWitt, de O Casamento de Rachel a Indomável na Netflix

Penelope H. Fritz
Adicione-nos no Google
Rosemarie DeWitt
Rosemarie DeWitt
Photo: -nickon- / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento26 de outubro de 1971
Flushing, Queens, New York City
OcupaçãoAtriz
Conhecido porLa La Land: Cantando Estações, A Luta pela Esperança, Sorria 2
PrêmiosPrêmio Satellite · Toronto Film Critics Association Award for Best Supporting Actress · Vancouver Film Critics Circle Award for Best Supporting Actress · Gotham Independent Film Award for Best Performance (compartilhado) · Obie Award, by the (compartilhado)

O filme de Jonathan Demme leva o nome de sua personagem no título, mas, durante a maior parte da história, a câmera acompanha outra pessoa. Em O Casamento de Rachel, Rosemarie DeWitt interpreta a noiva, uma irmã mais velha que passou anos organizando a vida em função de Kym, a personagem de Anne Hathaway, que sai da reabilitação para passar um fim de semana com a família. O casamento é de Rachel. A crise, não. Na manhã da cerimônia, Rachel dá banho e veste a irmã, cujo rosto está machucado por causa de um acidente que ela provocou na noite anterior. É DeWitt quem faz desse gesto um retrato da história de uma família inteira que perdoa a pessoa errada.

Esse desequilíbrio a acompanha desde então. Ela foi a irmã em La La Land: Cantando Estações e em O Mundo de Tara, a ex-mulher em Indomável e She Dances, a mãe em Fora de Mim e The Boys. Raramente é o nome no cartaz, mas muitas vezes é quem, em cena, parece estar dizendo a verdade. “Às vezes você precisa pegar a melhor amiga ou a irmã e dar vida nova à personagem”, disse ela à New Jersey Monthly depois que o filme de Demme a tornou conhecida. A frase funciona tanto como manifesto quanto como reclamação.

Ficar ao lado de uma história maior é um hábito de família. Seu avô era James J. Braddock, campeão dos pesos-pesados durante a Grande Depressão, e seu pai, que havia lutado no Golden Gloves, o idolatrava. “Quando eu estava crescendo, ouvia mais histórias do meu pai do que da minha mãe”, contou. Quando Ron Howard fez A Luta pela Esperança, sobre Braddock, a neta recebeu a oportunidade de fazer um teste por cortesia e acabou conseguindo um papel — mas não o da mulher dele. Interpretou Sara, uma vizinha.

Ela nasceu em Flushing, no Queens, em 26 de outubro de 1971, e cresceu em Hanover Township, Nova Jersey, atuando em peças escolares na Whippany Park High School. Depois vieram um diploma em estudos criativos pelo New College da Hofstra e a formação no The Actors Center, seguidos por anos de trabalhos variados. “Acho que leva muito tempo até você se considerar atriz, e não bartender”, disse.

O teatro veio primeiro. Off-Broadway, ela atuou em Danny and the Deep Blue Sea, de John Patrick Shanley, no Second Stage; em The Butter and Egg Man, de George S. Kaufman, no Atlantic Theater Company; e em Small Tragedy, de Craig Lucas, no Playwrights Horizons, cuja equipe inteira recebeu um prêmio Obie. Na televisão, veio primeiro Standoff, da Fox, onde conheceu o futuro marido, Ron Livingston, e depois Mad Men: Inventando Verdades, em que interpretou Midge Daniels, a amante boêmia de Don Draper na primeira temporada. Ao ler o roteiro, pensou: “Ah, isso nunca vai ser produzido. É bom demais.”

Foram os diretores de elenco de Demme que a indicaram para o papel de Rachel; ela diz que foi uma das poucas pessoas do elenco que simplesmente fez um teste. O papel era menor no roteiro e, segundo ela própria, “provavelmente poderia ter ficado com uma atriz muito mais consagrada”. Entre uma tomada e outra, Demme se inclinava para ela e repetia a mesma orientação em voz baixa: “Seja você, seja você, seja você.” Foi o suficiente. O filme estreou no Festival de Veneza em 2008, e DeWitt recebeu o Satellite Award de melhor atriz coadjuvante, os prêmios da crítica de Toronto e Vancouver e uma indicação ao Independent Spirit.

Ao longo das três temporadas de O Mundo de Tara, do Showtime, ela interpretou Charmaine, irmã de Tara, personagem de Toni Collette. Certa vez, um supervisor de roteiro deu nota A+ a Collette por manter a continuidade com DeWitt e deu F a DeWitt. “Nós duas adorávamos dar tudo uma pela outra”, disse. A Irmã da Sua Irmã, de Lynn Shelton, improvisado em grande parte durante 12 dias numa ilha perto do estado de Washington, com Emily Blunt e Mark Duplass, rendeu a ela um prêmio de melhor elenco do Gotham e uma segunda indicação ao Spirit. Gus Van Sant a colocou ao lado de Matt Damon em Terra Prometida; Damien Chazelle a escalou como Laura, irmã do pianista de jazz de Ryan Gosling, em La La Land: Cantando Estações.

Há uma interpretação menos elogiosa de tudo isso, que diz mais sobre a indústria do que sobre ela. O maior papel principal em um grande estúdio que veio depois de Rachel foi o remake de Poltergeist – O Fenômeno, ao lado de Sam Rockwell. Ela já disse que aceitou o filme sobretudo por causa de Rockwell, e a produção recebeu dos críticos uma aprovação de 29% no Rotten Tomatoes. Também nunca vieram as transformações que costumam transformar coadjuvantes em nomes de premiações, e ela é franca sobre o motivo: “Nunca fiz testes para papéis em que precisasse imitar um sotaque, andar mancando ou ter uma corcunda.” É fácil dizer que sua carreira foi subaproveitada. Também é justo dizer que ela continuou escolhendo papéis que, como disse, a ajudavam a “chegar mais perto de mim mesma e dizer a verdade sobre as coisas sobre as quais tenho medo de falar a verdade”.

YouTube video

Os papéis mais sombrios vieram por meio de amigos e de histórias de gênero. Jodie Foster a escalou como Marie em “Arkangel”, episódio de Black Mirror sobre uma mãe solo que coloca um implante de monitoramento na filha. A crítica elogiou a maneira como DeWitt manteve a personagem cativante mesmo quando ela fazia algo indefensável. Em The Boys, ela foi Daphne Campbell, a mãe que abandonou Hughie. Em Sorria 2, interpretou Elizabeth Riley, mãe e empresária da estrela pop assombrada vivida por Naomi Scott. “Quase ninguém me pede para fazer algo grotesco”, disse. “Eu queria me desafiar e fazer algo repulsivo.” Ela brincou que os próprios filhos nunca poderão assistir.

Em Fora de Mim, da Disney+, ela interpretou Diane Brooks, mãe de uma aluna do sexto ano com paralisia cerebral, no filme que depois ganhou um Peabody. Indomável, da Netflix, lançado em julho de 2025, escalou DeWitt como Jill Bodwin, ex-mulher do investigador de parques interpretado por Eric Bana. Os dois ainda carregam a dor da morte do filho pequeno; para o AV Club, a química de verdade existia apenas entre Bana e DeWitt. A Netflix renovou a série, mas o retorno dela ainda não foi anunciado. She Dances, de Rick Gomez, chegou aos cinemas dos Estados Unidos em março de 2026, com DeWitt como a ex-mulher do pai vivido por Steve Zahn, que participa de uma competição de dança. Em maio, Diamond, de Andy Garcia, estreou fora de competição em Cannes, com DeWitt no papel de Angel, frequentadora habitual do bar onde Bill Murray trabalha.

Seu primeiro casamento, com o ator Chris Messina, terminou em 2006. Ela se casou com Livingston em San Francisco, em novembro de 2009, e o casal tem duas filhas adotivas.

O próximo papel será o de outra mãe, num planeta de telepatas. Na New York Comic Con, em 10 de outubro de 2026, a Paramount+ anunciou que DeWitt fará uma participação na temporada final de Star Trek: Academia da Frota Estelar como Laytha Sadal, primeira-dama de Betazed e mãe da cadete Tarima, ao lado de Bill Nighy. A temporada estreia em março de 2027. Os betazoides leem aquilo que todos os outros tentam esconder. Para uma atriz cuja melhor orientação foi “seja você”, é um destino apropriado.

Filmes em destaque

Tags: , , , , ,

Notícias em destaque — Rosemarie DeWitt

Ver todas →

Adicione-nos no Google

Discussão

Há 0 comentários.